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COMPORTAMENTO IV
Hímen continua a povoar imaginário do "sexo" masculino

Afinal, a virgindade é ou não um bom motivo para que um homem adquira confiança numa mulher? Apesar de afirmar veementemente que tal premissa é `coisa do passado', diversos homens se pegam muitas vezes recorrendo ao tema castidade para analisar a conduta de uma possível candidata a um namoro ou algo parecido. Senão vejamos.

O estudante universitário Fernando Mota, 27 anos, não dá importância ao assunto e chega a dizer que uma mulher casta, quando ainda jovem, é apenas uma criança. Quando velha, ela deve estar carregada de puritanismo. "Nunca transei com uma menina virgem. Para mim, sinceramente, tanto faz", declara. Até os 21 anos, porém, Fernando garante que possuía uma verdadeira `queda' pelo assunto. O fenômeno ganhou ainda mais força depois que ele, aos 19 anos (tinha perdido sua castidade havia dois anos), começou a namorar uma garota. Virgem.

"Namoramos durante quatro anos, e durante todo esse tempo nunca tivemos relação sexual. Eu tentei muito, mas depois, conversando com ela, desisti", afirma. O universitário passou então a recorrer a casos extra-oficiais para garantir uma vida sexual ativa. "Eu adorava minha namorada, mas precisava transar. Acho que é coisa de adolescente mesmo". Para Fernando, a garota com quem tinha relações sexuais foi responsável pela manutenção do relacionamento entre ele e a namorada. "Sem essa menina, eu não teria segurado meu namoro durante tanto tempo", acredita.

FETICHE - Segundo a psicóloga Amparo Caridade, o verdadeiro fetiche que o hímen provoca no imaginário masculino pode estar ligado meramente a um detalhe: insegurança. "Logicamente, quem procura uma virgem não espera que ela conteste sua performance sexual. Uma mulher experiente é bem mais confortável, mas, no caso, o homem corre o risco de ser comparado a outro", diz a psicóloga, que é autora de diversas publicações sobre sexo.

Outra possível razão para a predileção é a própria auto afirmação masculina, confirmada pela `conquista' de uma mulher que ainda não partilhou sexo com outro homem. "A prática de exibir o lençol sujo de sangue depois da noite de núpcias em alguns países não significa que o homem está orgulhoso pela mulher. Ele está prestando contas à sociedade, dizendo `vejam, eu sou macho'", continua Amparo Caridade.

O programador de sistemas Luiz Inácio Souto (nome fictício), 37 anos, admite que deposita mais confiança nas mulheres que tiveram poucos parceiros sexuais. Se ela ainda não possuiu nenhum, melhor ainda. "Não sei até que ponto posso acreditar numa mulher que perde a virgindade precocemente", diz. Souto já manteve relações sexuais com duas virgens, uma delas hoje sua esposa. Na época, ele já havia tido várias outras parceiras. "Eu já gostava muito dela, teria me casado mesmo se ela não fosse mais virgem. Mas tenho que confessar que sua castidade me confortou bastante".

ELE É O BOM -" A psicóloga Semírames Prado acredita que o sexo masculino ainda está muito ligado a simplesmente disputar o prêmio de melhor performance sexual. "É como se eles tivessem que provar algo a alguém", diz. Ela lembra que as relações sexuais, principalmente em se tratando das primeiras, devem estar permeadas de, no mínimo, respeito. "Tenho pacientes casadas há mais de 13 anos que ainda permanecem virgens por conta de um início de vida sexual insatisfatória. São traumas que, se não tratados, podem afetar para sempre a saúde psicológica do indivíduo". (F.M.)

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Jornal do Commercio
Recife - 14.11.99
Domingo