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ESCASSEZ MUNDIAL Água poderá ser motivo de guerras no próximo milênio por GILLE LAPOUGE PARIS - Uma das grandes controvérsias do 3º milênio será a respeito da água, distribuída de forma muito desigual entre os continentes e cujos circuitos naturais - os rios - que fluem através de vários países, poderão tornar-se motivos de guerra. Ora, existe algo imponente que desempenha um papel nesta questão da água: as barragens, consideradas uma panacéia desde o início deste século (eletricidade barata e conveniente, regularização dos rios, armazenamento de água) mas que, há uns 10 anos, tornaram-se alvo de violentos ataques. As represas são acusadas dos piores delitos: catástrofes humanas, culturais, destruição da Natureza. MASSACRE - A barragem de Assuan, no Egito, símbolo da vontade de independência de Nassar, é considerada exemplo de massacre de locais históricos importantes e, ao mesmo tempo, do equilíbrio ecológico de uma vasta região. Mas Assuan não é senão um elo na longa corrente de barragens criadas neste século - a de Tennessee Valley (símbolo do New Deal, de Roosevelt), a contenção do Rhone, na França, em 1945, símbolo da "França Planejadora" de Gaulle e dos socialistas, e, acima de tudo, a mística soviética das grandes barragens (sob o impulso de Lênin), tendo como pioneira a Dnieprogues (represa do Dnieper), cujas imagens inundaram o universo para anunciar que a URSS fazia o mundo entrar numa nova era: aquela em que o homem domina a Natureza para sua própria felicidade. Poderíamos acreditar que a época dessas barragens faraônicas passou. Mas não é verdade: a tradição das represas monstruosas perdura (a China é um exemplo) e no mundo inteiro a ameaça de penúria energética e de explosão demográfica justificam a criação de represas porte médio. |
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