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ESCASSEZ MUNDIAL II Mundo recorre às polêmicas barragens O jornal inglês Financial Times cita a existência, no mundo, de 1.600 projetos de barragens (os países mais envolvidos são a Índia, a China, a Turquia, a Coréia do Sul, o Japão, o Brasil, a Espanha, a Tailândia e a Romênia). Alguns exemplos: na Índia, a represa de Maheshwar, no vale de Narmada, deslocará 20 mil pessoas. Um movimento contra a represa critica o projeto, mas seus militantes são presos, fazem greve de fome e a romancista Arundhati Roy publicou um livro: Le colt de la vie (lançado pela Gallimard, na França). Roy dispara uma "barragem" de projéteis de fogo contra as barragens e denuncia estas "grandes obras, mais benéficas ao Banco Mundial, do que aos homens". Outro projeto gigantesco, na URSS, foi evitado e com razão em 1985 graças ao esgotamento do país e ao advento de Gorbachev: desviar dois grandes rios siberianos, o Ob e o Ienissei, para o Mar Cáspio e o Mar de Aral, com a finalidade de "criar um mar interior". Hoje, é a China: o projeto "Três Gargantas" acarretará o deslocamento de um milhão de pessoas. Na Turquia, um dos mais importantes polos culturais do mundo - Hasankeyf (civilizações assíria, romana, bizantina, síria, Abassida e árabe...) corre o pior risco se for construída sobre o Rio Eufrates a represa de Birecik. DESTRUIÇÃO - As resistências se multiplicam: nos Estados Unidos, a National Wildlife Federation está em pé de guerra, bem como o grupo suíço Déclaration de Berne, ou a União Mondiale pour la Nature (UICN). Estas organizações demonstram que o custo em termos de seres humanos (deslocados de seus lugares de origem) de lugares históricos, de ecologia, é exorbitante. Nos Estados Unidos, assistimos a uma "virada". Depois da época das barragens, chegou a época de sua destruição: dentro de vinte anos, 120 obras importantes serão "desconstruídas". O WWF (Fundo Mundial para a Natureza) garante que as barragens não são nem mesmo "apropriadas". A proliferação de plantas aquáticas deteriora a água , observa-se a produção de metano e de dióxido de carbono devido à decomposição da biomassa florestal submersa. Os defensores das barragens (entre os quais as empresas interessadas no fornecimento de cimento e de turbinas), retrucam que estes perigos são ilusórios e que, dentro de cinqüenta anos, um quarto da população mundial viverá em zonas sem água. |
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