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GLÓRIA
África reverencia mortos de guerra Anglo-Bôer

JOANNESBURGO, África do Sul - Pelo menos 12 mil pessoas pereceram em campos de concentração neste país. Outros milhares foram massacrados ou morreram em batalha. Seus ossos repousam em sepulturas sem identificação, há muito esquecidas. Agora, pela primeira vez, negros, homens, mulheres e crianças que morreram na guerra Anglo-Bôer estão sendo lembrados enquanto a nação comemora os 100 anos do conflito e reescreve a história nacional na qual brancos receberam as grandes glórias e aos negros coube, quando muito, notas de pé de página.

O presidente Habo Mbeki e o duque de Kent colocaram coroas de flores nas sepulturas de africanos, britânicos e bôeres do lado de fora da cidade de Brandfort, a 300 quilômetros ao sul de Joannesburgo, marcando o lançamento de um final de comemorações.

Uma exibição descrevendo a participação dos negros foi aberta no Museu da Guerra próximo a Bloemfontein, onde anteriormente havia apenas a descrição do conflito da perspectiva dos bôeres, os descendentes dos colonizadores holandeses e europeus.

"Os horrores que os negros enfrentaram estão sendo só agora reconhecidos. Descendentes africâneres dos bôeres estão planejando suas próprias comemorações. Louis Trichardt, diretor do Afrikanerbund, que promove a cultura e a língua africâner, diz que espera que o novo foco da história ajude a unir os sul-africanos. "Eu acho que é uma boa idéia", diz ele. "Nós precisamos olhar para o futuro".

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Jornal do Commercio
Recife - 21.11.99
Domingo