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NO PÉ DA CONVERSA
Lenivaldo Aragão

Culpa do homem

Conta Falcão que o preparador físico Gilberto Tim, morto há alguns meses, era muito amigo dos jogadores com os quais trabalhava, no entanto, não pensava duas vezes quando precisava dar um esculacho em algum boleiro que farrapasse nos exercícios que comandava.

No Rio Grande Sul - e também no resto do Brasil, pois se fosse o contrário não teria chegado à Seleção Brasileira - Tim gozava de enorme prestígio, principalmente porque estava sempre procurando novidades para introduzir no trabalho que realizava.

Na época em que o futebol gaúcho se caracterizava mais pela força, Tim foi quem primeiro utilizou nos Pampas o trabalho físico com peso. Como toda novidade sempre cria polêmicas, o caso em questão não ficou por menos. Paralelamente com as reclamações de muitos jogadores, que estranhavam a novidade, jornalistas não dispensavam algumas críticas ao preparador do Internacional, achando que o mesmo estava exagerando.

Os jogadores queixavam-se de sair do treinamento com a musculatura dolorida de tanto levantamento que eram forçados a fazer com aquele peso no pé. Para Tim, isso era uma grande vantagem, uma vez que aumentava substancialmente a possibilidade de a moçada ficar em casa sem correr o risco de cair na gandaia, o inimigo número um de qualquer preparador físico.

Como em todo time brasileiro que se preze, o Internacional dos tempos de Falcão tinha seus gaiatos. Um deles era o lateral-esquerdo Vacaria, assim conhecido por causa da cidade onde nasceu. Um dia, Vacaria ao sair do vestiário, deixou de fazer a habitual genuflexão diante da imagem de uma santa, que estava localizada junto da porta.

O lateral, que como os demais estava se queixando dos rigores dos exercícios comandados por Gilberto Tim, em vez de ajoelhar-se diante do altar, piscou o olho para a imagem, justificando-se:

"Não leve a mal, mas a culpa é do professor.

Santo de casa

No embalo do 30º aniversário do milésimo gol de Pelé, o árbitro Manuel Amaro voltou à evidência, com gosto de gás. O alagoano pernambucanizado perdeu a conta do número de entrevistas que concedeu, pois estava sendo sempre procurado por jornalistas do Brasil inteiro, do Oiapoque ao Chuí. Em meio à satisfação de Manuel Amaro, um pouco de tristeza ao descobrir que os jornais de Alagoas, sua terra, não deram a mínima.

Hora do Santa

A torcida do Santa Cruz teve dois momentos de arrepiar, neste Campeonato Brasileiro, quando a vitória foi arrancada a fórceps. Primeiro foi a passagem de seu time para a segunda fase da Série B classificação de seu time para a segunda fase da Série B, com a inesquecível vitória sobre o Moto


Jornal do Commercio
Recife - 21.11.99
Domingo