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RUMO A 2000 VI
Sempre há o perigo de um calote

Para as empresas e os profissionais liberais que trabalham com propaganda política, a campanha eleitoral é a melhor época do ano para se ganhar muito dinheiro. Preocupados em garantir um mandato eletivo, os candidatos, geralmente, gastam muito. O dinheiro que tem e o que não tem. Por isso, são tradicionalmente conhecidos como maus pagadores. Algumas empresas fecharam depois que levaram um calote de candidatos ao término das campanhas.

"Fabricamos bonés desde 1980. Já trabalhamos para muitos políticos. Teve uma eleição que quase fechamos. Recebemos muitos cheques sem fundo. Encomendaram e não pagaram. Isso aconteceu principalmente com os candidatos a vereador. Hoje, pensamos muito antes de fechar contrato com o político", afirma a empresária Rossana Couto, da Gê-Bê Bonés.

A empresa de pesquisa Arconsult também passou pelas mesmas dificuldades. "Na eleição anterior de prefeito (96) quase quebramos. Hoje, o medo baixou consideravelmente. Mesmo assim ainda existe. Há determinados candidatos para quem não trabalho mais", afirma Antonio Araújo, da Arconsult.

Mas, apesar dos riscos, o mercado sabe que em época de campanha o dinheiro `corre frouxo'. O faturamento dos três meses de campanha garante, muitas vezes, o funcionamento das empresas até a próxima eleição. Algumas aproveitam os recursos para se reequiparem.

O perigo é maior para os profissionais autônomos, uma vez que eles não formalizam contratos com os políticos. Todo o acerto é feito `de boca'. "Já fui vítima de grandes nomes que me devem até hoje. Não vou brigar porque o mercado é restrito. Podemos fechar todas as portas", disse um publicitário.

A jornalista Lúcia Oliveira foi uma vítima desse mercado rentável, mas informal. Ela foi assessora de imprensa do ex-deputado federal Humberto Costa (PT), na sua campanha para o Senado, no ano passado. "Ela era minha assessora direta enquanto eu era deputado. Quando formou-se a Frente Popular, foi contratada pela coordenação da campanha. Recebia pelo gabinete, a minha parte, e pela coordenação a outra. Não estou devendo nada a ela", afirma Humberto.

Também na eleição de 98 (ao Governo do Estado), a campanha do senador Carlos Wilson (PPS), na época filiado ao PSDB, ficou devendo a muitos prestadores de serviços. "Não recebemos o último mês da campanha", afirma o fotógrafo Alexandre Belém, da Agência Lumiar. Mas fez questão de ressaltar que o pagamento da dívida está sendo negociado. "Como pessoa física não devo a ninguém. A responsabilidade é da coligação. Sempre existem problemas em relação a isso porque há muita exploração", disse o senador do PPS, pré-candidato à Prefeitura do Recife no próximo ano.

Para evitar esses problemas, o serigrafista Josenildo França não tem `papas na língua'. "Colo no candidato como uma sombra. Não saio de seu comitê. Ele me paga de todo o jeito. Nunca levei calote. A gente tem que marcar sob pressão", orienta. (S.B.)

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Jornal do Commercio
Recife - 21.11.99
Domingo