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SENADO Corporativismo poderá livrar Luiz Estevão da cassação BRASÍLIA - Citado no relatório da CPI do Judiciário no Senado por manter relações suspeitas com a empreiteira responsável pelo desvio de verbas na construção do Fórum Trabalhista de São Paulo, o senador Luís Estevão (PMDB-DF) tem tudo para escapar de qualquer tentativa de cassação por parte de seus 80 colegas. Jamais o Senado tomou a iniciativa de cassar o mandato de um parlamentar em seus 173 anos de história. Nem mesmo um homicídio dentro do próprio plenário da Casa justificou cassação por falta de decoro. Articulador do processo de cassação, o senador José Eduardo Dutra (PT-SE) acredita que a história poderá ser mudada este ano pelo empenho do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), em fazer que a CPI tenha conseqüências práticas. "De certa maneira, a CPI atingiu o Poder Judiciário, e soaria como desmoralização o espírito corporativo prevalecer a favor do único parlamentar envolvido nas investigações", disse Dutra. Procurando demonstrar tranqüilidade, Luís Estevão ressalta que a CPI não o culpou diretamente, apenas sugerindo que o Ministério Público abra investigações sobre o seu suposto enriquecimento ilícito. "Depois de oito meses e meio de investigação, a CPI não encontrou nenhum motivo para pedir alguma sanção contra meu mandato", disse. O senador peemedebista prefere direcionar seus ataques para a imprensa. "O jornal Estado de S.Paulo, ao pedir em editorial a minha cassação, ressuscitou o espírito dos inquéritos da ditadura, onde se definia a punição antes da investigação começar", afirmou, se referindo à edição da sexta-feira. Além dos episódios relacionados à construção do Fórum terem acontecido antes de Estevão ser eleito senador, o que dificulta um processo por falta de decoro, o PMDB é a maior bancada no Senado, com 26 senadores. Outro trunfo do senador é a tradição corporativa. "Isto aqui é um clubão", admite Dutra. O exemplo mais contundente deste espírito aconteceu em 1963. No dia 4 de dezembro daquele ano, o senador Arnon de Melo (UDN-AL) discursava, criticando o senador Silvestre Péricles de Góes Monteiro (PSD-AL). O debate acabou com os dois sacando suas armas e Arnon realizando vários disparos. Um deles matou o senador José Khairallah (PSD-AC). Depois do crime, Arnon de Melo e Góes Monteiro foram detidos, mas não perderam o mandato. |
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