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CPI DO NARCOTRÁFICO II
Meres diz que Proteção a Testemunhas não funciona

CAMPINAS - O motorista Jorge Meres Alves de Almeida, 39 anos, principal testemunha da CPI do Narcotráfico, está arrependido de ter mudado de lado há três meses, quando resolveu acusar políticos, empresários, policiais e bandidos de pelo menos dez Estados por roubo de cargas e narcotráfico. Meres está com medo de morrer e teme por sua família. Sua mulher está desaparecida há um mês e meio e suas duas filhas foram escondidas por parentes.

Tudo isso está acontecendo, afirma, porque o Programa de Proteção a Testemunhas não funciona. "O crime vem se organizando havia muitos anos e ninguém conseguia combatê-lo. Aí eles pensaram: `Vamos fazer um programa de testemunhas. Algum otário vai cair e contar como funciona o crime'. Eu fui esse otário".

Meres fez um desabafo no sábado, antes de deixar Campinas, última escala da CPI. "Vou cobrar proteção do Governo. Se isso não acontecer, posso desistir de tudo", disse. Amanhã, Meres tem uma audiência com o ministro José Carlos Dias (Justiça) para cobrar a proteção que foi prometida a ele e à sua família quando aceitou delatar seus antigos companheiros.

Nas audiências, Meres é tratado como o herói da CPI. Suas denúncias deram uma dimensão nacional a uma indústria criminosa que parecia limitada ao Acre do ex-deputado Hildebrando Pascoal. Meres já provocou a cassação do deputado maranhense José Gerardo de Abreu e prisão de pelo menos 30 pessoas.

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Jornal do Commercio
Recife - 22.11.99
Segunda-feira

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