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CURSO
Sesc abre Projeto Dramaturgia

Muitas pessoas acreditam que uma boa dicção é suficiente para expressar o âmago do sentido das palavras contido em um texto. Para o ator, alcançar esse grau de qualificação na leitura de textos teatrais é condição sine qua non. Mas para conseguir emocionar o ouvinte/espectador é preciso atingir o cerne dramático que toda boa escrita carrega. E é com o objetivo de estimular esse exercício em diretores e atores de teatro que o Serviço Social do Comércio (Sesc) inicia o Projeto Dramaturgia: Leituras em Cena.

Por duas semanas, o projeto oferece oficinas, dando orientações técnicas para sustentar a dramaturgia nas encenações, e exibição de vídeos. Entre eles estão O Sangue do Poeta e Orfeu (de Jean Cocteau), que refletem os medos e obsessões por trás das poesias, e A Morte da Donzela (de Romam Polanski), baseado na peça de Ariel Dorfman.

Como orientadores das oficinas, foram convidados Fábio Ferreira, diretor e criador do Festival de Teatro do Rio de Janeiro; Mônica Alvarenga, diretora de vários espetáculos no Rio, como Mãe Coragem, de Brecht, e Othello, de Shakespeare; Dudu Sandroni, autor e diretor, com destaque no teatro infanto-juvenil; Lael Correa, criador e diretor do Grupo Teatral Infinito Enquanto Truque, de Maceió; e André de La Cruz, substituindo de última hora o criador da Cia. Dramática de Comédia, João Batista.

Mas o que vai movimentar mesmo as unidades do Sesc Santo Amaro, Caruaru, Garanhuns, Arcoverde e Petrolina são as leituras dramatizadas. "Além da participação dos oficineiros, mais de 100 artistas, entre diretores e atores dos cinco municípios onde acontece o evento, participam das leituras", diz José Manoel, coordenador deste projeto.

Entre os textos selecionados que servem como ponto de partida para operacionalizar o ritual de ouvir/ver leituras teatrais estão: A Chunga, de Mario Vargas Llosa, sobre a condição feminina em uma sociedade primitiva e machista; e a comédia Nada para Pahuajó, de Julio Cortázar, mostrando a louca obstinação da classe média em busca de valores supérfluos.

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Jornal do Commercio
Recife - 22.11.99
Segunda-feira