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OCUPAÇÕES MST ocupa mais 12 propriedades privadas
Cerca de 150 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocuparam, ontem, o Engenho Pasmado, às margens da BR-101, no município de Igarassu, Região Metropolitana do Recife. A área - mais conhecida por Terras da Santa - pertence à Igreja Católica e foi arrendada pela Usina São José. O MST também anunciou a ocupação e reocupação de outras 11 fazendas e engenhos da Mata Sul, Agreste e Sertão do Araripe. De acordo com a secretaria estadual do MST/PE, o número de invasões representa a segunda maior ocupação no Estado. A primeira foi em março passado, quando 42 áreas foram invadidas. O Engenho Pasmado, com cerca de 3 mil hectares, foi invadido por volta das 5h30. Os sem-terra alegam que a Usina São José não possui documentação que comprove a posse da terra. "Nossa proposta é que 600 famílias se estabeleçam nessa região", diz um dos líderes do acampamento Nossa Senhora da Boa Viagem, Edvaldo Sobrinho. "Há a ameaça de que os arrendatários cometam alguma represália durante esta madrugada", diz. Segundo o coordenador do MST em Pernambuco, Jaime Amorim, ainda não se sabe o total de ocupações no Sertão. "É bem provável que ocorram ainda durante esta semana em todo o Estado". Para a maioria dos acampados, a expectativa é de conseguir um pedaço de terra para o sustento. É o caso de Maria José Gomes da Silva, 38 anos. "Meu sonho é ter minha parcela de terra para poder construir a minha casinha e garantir o futuro das minhas duas filhas". Fazendo parte da chamada jornada de ocupação em nível estadual, as invasões tem por objetivo pressionar o Governo Federal a realizar a reforma agrária. "Queremos mostrar à sociedade também a má vontade do Incra em vistoriar as terras improdutivas que existem em Pernambuco", afirma Amorim. Na Mata Sul, cerca de 200 famílias reocuparam os engenhos Araçú, Letra, Barreirinho e Mamucaba, este último localizado no município de Tamandaré. Já no Sertão do Araripe, aconteceram uma ocupação e duas reocupações. Ele atesta que, de acordo com dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem cerca de 340 mil famílias de sem-terra no Estado. Dessas, apenas 7,6 mil estão assentadas e 18 mil, em acampamentos. |
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