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POLÊMICA
Comitiva numerosa do ministro Sarney recebe críticas na COP-3

A vinda do ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, para participar da última semana da 3ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP-3) ameaça manchar a imagem de austeridade tão pregada pelo presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. Encarregado de comandar, pelo Brasil, a semana política da COP-3, Sarney Filho trouxe para acompanhá-lo na sua missão nada menos que 21 pessoas do ministério. Um número que chama a atenção, comparado com o total de delegados enviados por cada país para a conferência. Os países africanos - os maiores atingidos pelo fenômeno em todo o mundo e ponto central do encontro - mandaram, em média, seis pessoas em cada delegação. A Argentina, que possui grandes áreas de desertos na América Latina, enviou apenas um representante.

Ontem, à tarde, o ministro chegou num vôo da Força Aérea Brasileira (FAB) e desembarcou na Base Aérea do Recife. Ele veio acompanhado dos cinco secretários do Ministério do Meio Ambiente, a presidente do Ibama, assessores, chefe de gabinete, além do pessoal de apoio. A justificativa para a numerosa comitiva é que Sarney Filho resolveu transferir, por uma semana, as atividades do ministério para o Recife. "Ele não queria atrapalhar sua agenda de compromissos e, por isso, trouxe seu assessores diretos para continuar o trabalho, enquanto comandava as atividades realizadas na conferência", explicou a assessora de imprensa do ministério, Pamela Nunes.

Entre os participantes da COP-3, a notícia da chegada da comitiva de Sarney Filho foi alvo de críticas e até de comentários irônicos. "Deviam avisar ao ministro que existe telefone e fax, justamente para quando se está viajando. Tudo bem que ele não queira interromper as atividades do ministério, mas será que o custo com tantas despesas justifica essas boas intenções?", questiona um dos membros da equipe brasileira que participa da conferência. Em média, a diária de um assessor de ministro custa R$ 200,00, enquanto a do pessoal de apoio fica em torno de R$ 130,00. "Com a crise atual, não há como justificar uma comitiva tão grande. O ministro devia seguir o exemplo dos países estrangeiros que participam da conferência. São delegações enxutíssimas, justamente para economizar gastos", afirma outro representante do Brasil na COP-3.

SEMANA DECISIVA - A participação diária do ministro Sarney Filho na conferência é um indicador do que vai acontecer na última semana de discussões da COP-3. Depois dos primeiros oito dias de uma agenda mais técnica, hoje começam a ser tratadas as questões políticas do encontro. É a hora dos países assumirem compromissos e tomarem decisões efetivas para o combate à desertificação em todo o mundo. Além de Sarney Filho, outros 54 ministros de Estado estrangeiros participarão, a partir de hoje, da conferência.

Enquanto os ministros se reúnem na plenária - palco central da conferência - uma comissão de 38 deputados de 20 países de todos os continentes participam, hoje e amanhã, do Fórum de Parlamentares. A delegação brasileira, com representantes de vários partidos, é composta por dez pessoas. O único congresso estrangeiro a enviar mais de um político foi o da Alemanha, que virá com três deputados. Da Ásia, apenas o parlamento indiano mandou representante. A reunião de parlamentares será comandada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer.

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Jornal do Commercio
Recife - 22.11.99
Segunda-feira