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Prejuízo supera US$ 300 milhões ao ano no Brasil

Não existem parâmetros para avaliar o volume real de perdas econômicas provocadas pela desertificação no Brasil. Mas, com base na metodologia aplicada pelas Nações Unidas para a África, o Ministério do Meio Ambiente estima que, só com perdas de produtividade, o prejuízo chegaria a US$ 300 milhões ao ano. Uma conta que o próprio coordenador do Plano Nacional de Combate à Desertificação, Heitor Matallo Júnior, reconhece como sendo defasada. Ele afirma que o solo africano possui características diferentes do nosso, o que compromete a base de cálculos usada no levantamento. "Esses valores precisam ser novamente contabilizados, levando-se em consideração a situação específica da América Latina", observa Matallo.

O biólogo e agroecólogo Maurício Aroucha, que estuda a ocorrência do problema na região do Núcleo de Desertificação de Cabrobó (PE), acredita que, na prática, os prejuízos sejam muito maiores. Segundo os estudos da ONU, as perdas são de US$ 7,00 por hectare ao ano nas áreas de pasto nativo, US$ 50,00 nas de agricultura de sequeiro e US$ 250,00 nas terras irrigadas. "Se forem calculados o custo com o investimento feito para o plantio, mais a produtividade perdida, o total de dinheiro desperdiçado no Semi-Árido, certamente, será superior ao que aponta os dados das Nações Unidas", defende o biólogo.

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Jornal do Commercio
Recife - 14.11.99
Domingo