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Brasil cobra fixação de metas para reduzir a desertificação

Embora seja a discussão mais importante sobre a ocorrência da desertificação no mundo, a COP-3 deixa a desejar, quando comparada a outros eventos promovidos pelas Nações Unidas na área ambiental. Diferente, por exemplo, da conferência sobre mudanças climáticas, ocorrida em Kyoto, há dois anos, a reunião que começa amanhã não estabelecerá metas ou prazos para a realização de ações de combate ao problema. Uma falha que termina comprometendo o poder de fogo das decisões tomadas na própria conferência, já que o encontro não prevê a adoção de medidas prioritárias a serem cumpridas pelos países atingidos pelo fenômeno.

Quem coloca o dedo na ferida é o coordenador do Plano Nacional de Combate à Desertificação (PNCD), Heitor Matallo Júnior. "A definição de metas e prazos é fundamental para gerar um mecanismo de cobrança entre os países participantes da convenção", justifica. Matallo vai mais além e defende a adoção de, pelo menos, três metas.

A primeira seria a criação de um grande programa internacional para a redução do analfabetismo nas regiões semi-áridas. "Isso facilitaria o acesso ao conhecimento do que é desertificação e como o problema interfere na vida das pessoas".

A adoção de um percentual mínimo de aumento anual da produtividade para os pequenos agricultores seria outro objetivo. "Poderíamos firmar convênios para modernização das práticas agrícolas entre os países", diz.

A terceira meta enfocaria a preservação obrigatória de 10% dos ecossistemas associados às regiões semi-áridas no mundo. "A combinação dessas metas representaria um esforço real para a retomada do desenvolvimento nas áreas atingidas pelo fenômeno", avalia Matallo.

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Jornal do Commercio
Recife - 14.11.99
Domingo