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COMPORTAMENTO III
No consultório, pacientes cada vez mais jovens

Um dos melhores termômetros para se conferir a quantas andam as evoluções sexuais que cercam a castidade é o consultório ginecológico. Ali, adolescentes e mulheres contam parte de sua vida sexual, e, geralmente, compartilham com o profissional as impressões de suas primeiras experiências. "Antes, as meninas chegavam até aqui meio se desculpando por não ser mais virgens. Agora, muitas delas brincam, contam para mim que ainda carregam aquela `doença'", revela a ginecologista Angelina Maia.

Outra profissional que comprova essa mudança comportamental é a ginecologista Isabel Carneiro, que atende adolescentes não-virgens cada vez mais jovens. "Elas sentem total necessidade de perder a virgindade para estarem integradas à turma", diz. Segundo Isabel, muitas destas garotas, depois do ato, sofrem por não continuarem ligadas aos parceiros. "As meninas aindam procuram um sexo onde está envolvido muito afeto", continua. Mesmo antes de começar a vida sexual, as adolescentes precisam iniciar suas visitas à ginecologista, recomenda a profissional. "É importante que, antes de tudo, haja maturidade para que se comece a transar. Depois disso, é necessário que se tomem cuidados, para que o sexo seja feito com responsabilidade".

A estudante Patrícia Melo, 16, é um raro exemplo de adolescente que hoje pratica "sexo responsável". Ela começou a transar com seu namorado há cerca de um ano, e, desde o início, vai à ginecologista. "Eu e meu namorado também fizemos o teste do HIV". Patrícia admite que, inicialmente, pensava em fazer sexo só depois que casasse. Ao conhecer o namorado (que já havia mantido relações sexuais com outras meninas antes de conhecê-la), mudou de idéia. "Gosto muito dele, e não me arrependo".

"SÓ AMANDO" - Também adolescente e estudante, Flávia Carvalho, 15, diz que já houve pressão de seus namorados para que ela perdesse sua virgindade. "Tenho curiosidade, mas prefiro transar apenas com uma pessoa de que eu goste muito". Para Flávia, filha de um militar e de uma dona de casa, manter a virgindade até o casamento é uma prática ultrapassada, do tempo em que sexo era visto apenas como um meio reprodutivo. Ela também pensa em se cuidar quando começar a se relacionar sexualmente com uma pessoa. Tanto Flávia quanto Patrícia temem um fantasma cada vez mais presente na vida das adolescentes: a gravidez precoce. (F.M.)

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Jornal do Commercio
Recife - 14.11.99
Domingo