![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
AUTO-AJUDA Um manual para quem pensa em casar de novo por ANTÔNIO MARINHO A família tradicional, casal e filhos vivendo sob o mesmo teto e controlada pelo homem, se transformou e deixou de ser o único tipo de combinação possível. Com a facilidade do divórcio e o maior número de recasamentos, surgiram outros modelos de estrutura familiar. E as novas maneiras de viver em família exigem diferentes adaptações, que quase sempre geram conflitos. Segundo a terapeuta de família e casal Gladis Brun, que está lançando o livro Pais, filhos e cia. ilimitada (Editora Record), uma nova união é, ao mesmo tempo, esperança e desafio. No livro, Gladis conta histórias que ilustram as dificuldades vividas por pais, filhos, padrastos, madrastas, enteados e avós nos recasamentos. São muitos os obstáculos, mas Gladis afirma que é possível um casal se separar e ser feliz em outro contexto familiar. "Essas tentativas podem ser frustradas por mutilações e destruições ou ser desenhadas eticamente", afirma Gladis, uma das fundadoras do Instituto de Terapia de Família. VULNERÁVEL - Gladis explica que o seu livro não propõe teorias complicadas para salvar um casamento. Ele é, como define a autora, uma `colcha de retalhos de mil outras histórias que, somadas, foram tecendo a essência de uma família fictícia'. Trata-se de um manual de sobrevivência para quem está formando um novo lar. "Não há soluções mágicas para salvar um relacionamento. Mas o livro aponta para a necessidade de reflexão sobre a realidade que será enfrentada", diz. Ela comenta que o recasamento é mais frágil que a primeira união porque tem uma estrutura mais complexa. É constituído por um número maior de avós, tias, irmãos e pessoas, muitas vezes estranhas umas às outras, que da noite para o dia se transformam em parentes. Por isso, é importante compreender o papel que cabe a cada um na construção da nova família. "O casal precisa aprender a enfrentar as turbulências, algumas ainda decorrentes de cicatrizes que ficaram do divórcio anterior. É importante criar pontes para transpor as crises. Isto pode ser feito com ajuda de um terapeuta, como forma de prevenção", diz. COMBUSTÍVEL - A maioria dos recasamentos ocorre depois do divórcio e sofre influência de momentos dolorosos e, algumas vezes, até traumáticos. O peso de cada uma dessas histórias e a forma como foram absorvidas vão marcar, com intensidades diferentes, as situações de desafio que todos terão de viver até se adaptarem à nova organização. "O momento presente tem sempre uma pré-história. E a família do recasamento pode tomar formas diferentes, segundo a realidade de cada membro do casal. Os relacionamentos entre os novos membros são frágeis e exigem tempo para se fortalecerem. Todos têm experiências e expectativas diferentes. "Muitas vezes, ao iniciar um novo relacionamento, cada membro da família pode estar numa fase emocional descompassada do outro, em graus de intensidade variáveis. Os sentimentos são diversos, nem sempre favoráveis, claros ou coerentes. Mas todos são legítimos. Tudo isso pode levar a desentendimentos. E é um comportamento natural diante das novidades. "Se o amor foi o responsável pelo projeto do recasamento, também será o mais útil combustível para que todas as negociações que o casal terá que fazer não acabem com o sonho de ser feliz", teoriza. |
|