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CATALUÑA VI O exagero criativo de Antoni Gaudí Da mesma forma que o trabalho de Gaudí é uma sublime homenagem a Barcelona (90% de seus projetos estão lá), tem-se a impressão que a cidade é, hoje, uma grande reverência à obra do arquiteto catalão, reproduzindo o movimento e o multicolorido de suas criações. A mais grandiosa e aguardada delas é a Sagrada Família, iniciada há 117 anos e ainda não concluída - apenas 30% da igreja foram construídos até então. O que já pode ser visto não deixa dúvidas quanto ao que representa a obra. E os turistas que vão a Barcelona têm consciência disso. A Sagrada Família é a atração mais visitada da cidade, tendo recebido 1.094.015 pessoas em 1998. Antoni Gaudí (morto em 1926, aos 74 anos) dedicou ao projeto 44 anos de sua vida - nos últimos 18 não aceitou nenhum novo trabalho. O que ele idealizou pode ser visto numa maquete exposta na igreja, mostrando como ficará o trabalho quando concluído. A previsão é erguer 18 torres, a mais alta com 170 metros de altura (atualmente, há 8 torres, a maior com 107 metros). Fachadas, serão três: Nascimento (pronta), Paixão (em andamento) e Glória (ainda não iniciada). No estilo, um exagero criativo como nunca se viu antes. E que é quase impossível definir. Controversa, a obra tanto induz a expressões de deslumbramento quanto de desagrado. Enquanto turistas do mundo inteiro desarmam-se frente à desconcertante beleza da obra, alguns profissionais são duros nas críticas. Recentemente, a Sagrada Família foi apontada por uma organização de designers como uma das mais feias obras de Barcelona. Uma coisa é certa: não dá para imprimir um olhar indiferente ao projeto. Da mesma forma, também não se pode passar ileso pelas demais criações de Gaudí que espalham-se pela cidade. Numa despretensiosa volta pelo centro, o peculiar estilo do arquiteto de repente se sobressai naquilo que poderia ser uma casa qualquer em meio a tantas outras. Poderia, no melhor futuro do pretérito, não fossem as curvas e texturas e idéias totalmente diferentes de qualquer fachada dos arredores. Entre as mais famosas representantes dessa excêntrica família estão a Casa Milà (conhecida como La Pedrera) e a Casa Batló - ambas no Passeo de Gràcia. E se uma construção isolada já causa impacto, imaginem várias ousadias de Gaudí reunidas num só lugar... É o que acontece no Parc Güell. A idéia era fazer, no local, uma espécie de condomínio residencial, perfeitamente integrado à natureza, que não foi em frente por falta de investidores. Sobraram as primeiras casas construídas (incluindo a do próprio Gaudí, hoje um museu) e algumas áreas projetadas para uso comum, todas com a marca inconfundível do arquiteto. Aberto ao público, o Güell é uma das melhores expressões do que Gaudí entendia por arquitetura. Assim como a Casa Milà, o parque foi declarado Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco.
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