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CAMINHÕES
Os pesos-pesados do ano 2000

por FERNANDO CASTILHO

Houve um tempo em que o sonho de todo caminhoneiro era dirigir seu caminhão pesado pelas estradas do Brasil, indo para onde o destino da carga lhe levasse. Hoje, a aplicação do conceito de logística está sofisticando o negócio do transporte no Brasil, que ainda carrega, segundo a Associação Nacional de Transporte de Cargas, 94% de toda a carga industrial. O caminhoneiro virou um microempresário que, para sobreviver, tem de estar atrelado à operadora de logística de transporte.

Animadas com a perspectiva de crescimento em 4% no ano que vem, as montadoras estão desembarcando no País suas mais recentes máquinas, numa briga que deve envolver diretamente sete multinacionais (Scania, Mercedes Benz, Volvo, Iveco-Fiat, Volksvagen, Chevrolet, Ford e a recém-chegada International). Elas vão disputar um mercado de aproximadamente 26 mil caminhões superpesados onde o preço pode chegar até os R$ 150 mil só com o cavalo mecânico.

Curiosamente, enquanto o preço do caminhão sobe, agregando mais tecnologia e potência ao conjunto, crescem também as exigência de uma melhor relação custo-benefício, além de mais conforto para o caminhoneiro que em alguns modelos precisa apenas manejar bem o computador para programar seu veículo.

Some-se a isso a necessidade de cumprimento das novas exigências técnicas do Governo brasileiro, que fixou em 13,15 metros o comprimento máximo de um caminhão estradeiro, e de redução dos níveis de poluição que acabaram por exigir um novo conceito de cabina.

A exigência de um tamanho máximo empurrou o mercado para os modelos de cabina avançada, onde motorista e carona se localizam sobre toda engrenagem mecânica do caminhão de forma a permitir que a carroceria possa levar mais peso, em média uma tonelada a mais comparada à tradicional cabina com o motor à frente dos bancos.

A cabina avançada deve ser responsável pela venda de metade dos caminhões pesados no ano que vem, obrigando a empresas como Scania, Volvo, Mercedes e a própria International redirecionarem o marketing de vendas e a própria produção. A nova tendência que obriga o caminhão a ter melhor distribuição do peso passou a ser decisiva na hora da compra, seja do frotista transportador ou do caminhoneiro individual.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.11.99
Domingo