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CINEMA IV
O dilema Bem X Mal numa ópera espacial

Guerra Nas Estrelas é uma saga em nove capítulos, ou três trilogias. Curiosamente, o primeiro filme, Guerra Nas Estrelas (Star Wars, 1977), é a primeira parte da segunda trilogia, ou seja, o capítulo 4, intitulado Uma Nova Esperança (A New Hope). Este Episódio 1, lançado agora, volta no tempo para explicar tudo do início. Aqui está um breve resumo, da segunda trilogia, mas que foi a primeira a ser filmada.

EPISÓDIO IV - Luke Skywalker (personagem construído como um típico rapaz americano), natural do planeta árido Tatooine, une-se a um velho cavalheiro Jedi (Obi Wan Kenobi), dois andróides (R2-D2 e C3P0), um mercenário (Han Solo) e seu ajudante peludo (Chewbacca) para salvar a Princesa Leia, donzela em perigo e líder dos rebeldes, das garras nefastas do Império, uma poderosa força militarizada, apresentada em tons nazistas e cujo maior representante é o sombrio Darth Vader, um ex-Jedi que passou para o lado escuro da força.

Os Jedis são parte de uma antiga casta de guerreiros, unidos por uma Força que praticamente define o equilíbrio de tudo no universo. Eles têm algo de samurai, com fortes doses de misticismo. Pregam o "não pensar", e dão ênfase ao ôsentirõ. Darth Vader é tudo isso, mas presta serviço ao Império, que acaba de construir uma base militar do tamanho de um planeta, capaz de destruir outros planetas com o ZOING de um laser. Cabe à força rebelde, na qual Luke lutará orgulhosamente, acabar com a Estrela da Morte e o avanço do Império sobre a Galáxia. O bem triunfa.

EPISÓDIO V - Intitulado O Império Contra-Ataca (1980), dirigido por Irwin Kershner, este capítulo é distintamente sombrio, se comparado ao divertido bang-bang do primeiro. Aqui, O Império tenta recuperar terreno atacando a nova base dos rebeldes no planeta gelado de Hoth, numa das sequências mais espetaculares da série, passada ou futura.

Enquanto isso, Luke passa por uma fase de enriquecimento espiritual no planeta Dagobah, na companhia de R2D2 e Yoda, velho mestre Jedi, uma criatura de meio metro, aparentemente feita de borracha, que fala como um biscoitinho da sorte. Fugindo das forças do Império, Leia e Han Solo (acompanhados de C3P0 e Chewbacca) desenvolvem uma relação amorosa, são capturados pelo Império e Solo é tristemente congelado, seu corpo entregue ao seu pior inimigo, Jabba The Hut.

Luke, já um verdadeiro Jedi, enfrenta Darth Vader numa luta de sabres de luz onde sua mão é decepada e onde ouve a importante informação de que Vader é seu pai e Leia, sua irmã. O episódio não tem conclusão, embora fique no ar a sensação desagradável de que o mau saiu fortalecido e o bem, derrotado. O melhor da série.

EPISÓDIO VI - O Retorno do Jedi, dirigido por Richard Marquand, este é o mais fraco da primeira trilogia. Lucas parece ter amarrado todas as pontas de uma vez só, claramente distanciando-se do clima deprê do segundo. Este aqui é bobo e infantil, embora ainda carregado de imagens interessantes.

Leia, Luke e os dois droids resgatam o corpo de Han Solo do palácio de Jabba The Hut, no planeta Tatooine. O Império reconstrói rapidamente a Estrela da Morte, mais uma vez, o principal alvo dos rebeldes, liderados pela gangue de sempre. Eles terão de desembarcar na "lua floresta de Endor", onde encontra-se o gerador de energia do sistema de segurança da nova Estrela da Morte, desativá-lo e, assim, abrir espaço para uma nova ofensiva rebelde que irá restaurar a paz e justiça na galáxia.

A grande seqüência do filme é uma perseguição envolvendo motocicletas na floresta, um tour de force de efeitos especiais e som. Um grande motivo de desgosto para alguns fãs da série é a participação importante de uns bichinhos de pelúcia subdensevolvidos, os Ewoks (naturais de Endor), que mereciam (e, pela lógica, seriam mesmo) ser esmagados pelas tropas imperiais, mas que terminam por derrotá-las. À esta altura, ...Jedi já virou filme infantil, deserdando as qualidades juvenis dos dois primeiros.

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Jornal do Commercio
Recife - 23.06.99
Quarta-feira