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ACUSAÇÃO
Prefeitura de Olinda expulsa sem-teto


As 120 famílias que ocupavam um terreno da Prefeitura Municipal de Olinda (PMO), nas margens da PE-15, na Cidade Tabajara, desde sábado, deixaram a área, ontem, depois que a PMO conseguiu uma liminar garantindo a reintegração de posse do imóvel. Pela manhã, representantes do Movimento Urbano dos Trabalhadores Sem-Teto (Must) estiveram na prefeitura para tentar uma saída negociada, mas não foram recebidos.

O grupo havia sido informado que o procurador do município, Roberto Guerra, os receberia. Entretanto, ao final da manhã, Bernardo Weinstein, da assessoria jurídica do Must, viu o procurador sair pela porta dos fundos da prefeitura.

Segundo um dos coordenadores do Must, Maurício Santana, o movimento reivindica a posse da terra já que a prefeitura destinou a área para a exploração privada, com a construção de um posto de gasolina, restaurante e um hotel de trânsito.

A concessão beneficiará a empresa Empreendimentos Tabajara Ltda, de Anna Paula Cardoso Gayão Arruda, nora do vereador Severino Arruda, líder da bancada governista na Câmara de Olinda. A prefeita Jacilda Urquisa se recusou a falar com a reportagem.

O vereador Marcelo Santa Cruz (PT), da Comissão de Legislação, Justiça e Redação da Câmara Municipal, denunciou a inconstitucionalidade do projeto de lei, enviado para a Câmara no dia 26 de abril deste ano e aprovado em duas votações, sendo a última no dia 12 de maio.

À tarde, com a chegada do Batalhão de Choque da Polícia Militar e depois da apresentação da liminar, as famílias que ocupavam a área decidiram sair pacificamente. Eles desmontaram os barracos de lona, mas prometeram continuar reivindicando o assentamento dos sem-teto.

O pedreiro desempregado José Luiz da Silva Costa, 38 anos, disse que não achava justo o terreno ser doado a uma empresa privada ao invés de beneficiar mais de cem famílias carentes. "Moro com a minha sogra, em Jatobá, e não tenho dinheiro nem para comer. Vim aqui tentar garantir uma futura moradia. A prefeitura deveria olhar para quem realmente precisa", disse.

A empregada doméstica, também desempregada, Lourdes Gomes, 38 anos, lamentou o despejo porque continuará tendo que pagar R$ 100,00 pelo aluguel do barraco onde mora com o marido e cinco filhos. "É muito pesado pra gente. Se não conseguir uma casa própria não sei como vou viver", desabafou.

PROTESTO - Trabalhadores do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) realizaram um protesto, ontem, em frente ao Banco do Nordeste, no Centro do Recife, reivindicando o pagamento de parte de um financiamento, que começou a ser liberado há um ano. Segundo o coordenador estadual, Rômulo Pedrosa, 152 famílias ganharam o direito a receber R$ 2 mil, cada, repassados pelo Ministério da Agricultura, mas só haviam ganho R$ 1,4 mil. Após o movimento, iniciado pela manhã, o pagamento começou a ser feito, no início da noite.

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Jornal do Commercio
Recife - 23.06.99
Quarta-feira