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As bitolas da economia O governo anuncia na semana que vem as metas de inflação para 1999, 2000 e 2001. Adoção oficial do sistema "inflation targeting", praticado hoje por uma dezena de países, segundo modelito apurado pela Inglaterra. O sistema monitora decisões de política monetária e (re)calibra projeções de juros do Banco Central. Tudo com a maior transparência, na base do aviso prévio. O assunto é polêmico por vocação. A discussão começa pela escolha do índice mais adequado na baciada de índices que no Brasil são utilizados como termômetro da inflação. O governo optou pelo discreto IPCA do IBGE, esnobando os badalados IPC-FGV, IPC-Fipe, ICV-Dieese e INPC no próprio IBGE. Entenda-se por IPCA o Índice de Preços ao Consumidor Amplo. Quer dizer: amplo, no caso, é o índice e não o consumidor. Que é miúdo, com seu salário médio de R$ 877, segundo o Dieese. Índice amplo porque abrange 40% da população urbana (no total de 11 regiões metropolitanas). Ou 30% da população total do País. O que significa dizer que o IPCA não alcança a carestia de 7 em cada 10 brasileiros. São coletados mensalmente 200 mil preços de 1.360 diferentes produtos e serviços consumidos por famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos. Pelo sim, pelo não, foram escolhidos dois outros índices alternativos: o IPC da Fipe e o IPC da FGV (embutido no IGP, que mede a inflação também no atacado). E mais: para dar credibilidade ainda maior ao "inflation targeting", o governo decidiu escalar um comitê supervisor do IPCA, integrado por técnicos e acadêmicos plugados na metodologia de índices de preços. O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, diz que, ao contrário do que se faz em dezenas de países, não haverá expurgos do índice de preços por fatores do tipo sazonalidade ou acidentalidade. Afinal, não se fez isso nem mesmo quando a economia estava visceralmente indexada - e desacreditada. Isso não impedirá que o Banco Central, por sua própria conta e risco, elimine efeitos sazonais e/ou acidentais na programação de médio e/ou longo prazo de suas metas monetárias, doravante atreladas às metas inflacionárias. Com o "inflation targeting", o Banco Central ganha maior autoridade técnica para ajustar a política monetária ao controle severo da inflação. Sem compromisso político com déficit, câmbio, salário ou emprego. O detalhe político: paradigma do "inflation targeting", o Banco da Inglaterra é tecnicamente autônomo e politicamente independente. Nova âncora Sai a âncora cambial (destruída por fadiga do material) e entra a âncora monetária, bitolada pela meta inflacionária. Certo? Nem tanto. A verdadeira âncora da economia estabilizada é a austeridade orçamentária de governos, empresas e famílias. Vem de banda A meta da inflação fará uso de uma banda e não de um número rígido. Ou mágico. Para este ano (com IPC-Fipe estimado em apenas 2,6% no primeiro semestre), daria para projetar uma banda de 4% a 6%. Stop and go? Desvios da meta para baixo da banda? O Banco Central afrouxa as políticas de crédito, de juros e de liquidez bancária (compulsórios). Para cima? Aperta-se o garrote monetário. Uma dezena Inventado pelos ingleses em 1992, o "inflation targeting" tem hoje dez adeptos: Inglaterra, Suécia, Dinamarca, Finlândia, Espanha, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Israel e Chile. |
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