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A décima nona crise? O Brasil está vivendo de crises artificiais. Basta que ACM teça críticas a uma decisão do Planalto, do próprio Congresso ou do Poder Judiciário para que suas palavras sejam tidas como causadoras da crise seguinte. Só nos últimos seis meses, segundo o jornalista Franklin Martins, comentarista político da Rede Globo, houveram no país 18 crises, sendo que as mais graves tiveram como causa as CPIs dos bancos e do Poder Judiciário e a falta de harmonia entre os quatro maiores partidos (PFL-PMDB-PSDB-PPB) da base de sustentação política do presidente da República. A décima nona crise dessa natureza teria sido causada pelo ministro Pimenta da Veiga após encontrar-se anteontem à tarde com o presidente da República. Disse o substituto de Sérgio Motta que de umas semanas para cá nota-se uma total "paralisia" dos trabalhos do Congresso e que isso não é bom para o país. Ora, se a Câmara e o Senado estivessem funcionando normalmente uma observação boba como esta mereceria cinco linhas num canto de página. Mas como o Congresso está paralisado e a imprensa que cobre o poder precisa abastecer-se de notícias, resultado: Inocêncio Oliveira (PFL), Germano Rigotto (PMDB) e José Genoíno (PT), que estavam em Brasília na antevéspera do São João, viram nas palavras do ministro sintomas da décima nona crise, o que obviamente é um exagero. Porque só mesmo a paralisia dos trabalhos do Congresso dá margem a esse tipo de leitura. Controle legal Ainda não totalmente conformado com o tratamento pouco cordial que lhe foi dispensado pelo Palácio das Princesas no processo que culminou com a intervenção em Jaboatão, o deputado Geraldo Melo está de volta. Apresentou um projeto na Assembléia Legislativa limitando a contratação de mão de obra, através de prestadoras de serviços, no âmbito dos poderes executivo e legislativo. Não apoiado! Prefeitos de todos os Estados já se mobilizam para impedir a aprovação pelo Congresso da emenda constitucional de autoria do deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), negando-lhes o direito que foi concedido a FHC e aos 27 governadores: disputar a reeleição sem necessidade de desincompatibilização. Em Pernambuco, quem coordena o trabalho de mobilização é a Amupe (Sérgio Miranda). Sangue sugas Sob as bênçãos da Secretaria do Governo, estão para ingressar no PMDB o prefeito de Cortês Manoel José e seis vereadores, todos eleitos pelo PSB. Quando esse fato consumar-se, o engenheiro Ernane Borba (PFL), que sustentou a oposição aos governos de Arraes praticamente sozinho, botará a boca no trombone. Ele não aceita dividir espaços políticos com os "sangue-sugas" do poder. ACM controlaria até o Judiciário da Bahia Segundo Ciro Gomes (PPS), todos os desembargadores da BA, sem exceção, são "crias" de ACM. Por isso, o presidente do TJ de lá foi o único do Brasil que se recusou a assinar uma nota de desagravo a Carlos Velloso (STF) por ter sido atacado pelo senador. Portas abertas para todos os aliados Mesmo involuntariamente, Mendonção acabou prestando um belo serviço ao PFL. Deputados da bancada do governo que estavam tendo dificuldades de ser recebido, inclusive em secretarias, dizem que, depois do protesto dele, estão sendo tratados com carinho. Foi o Ibope Informa o prefeito Silvino Duarte (PSB), a propósito de nota desta coluna, que a pesquisa estampada em out-doors ao longo da BR-232, atribuindo-lhe 90% de aprovação, foi realizada pelo Ibope. O números exatos, segundo ele, são 69% de bom e ótimo, 25% de regular e 6% de ruim e péssimo. Sobre sua saída do PSB, disse que não é fato consumado e que só tratará disto "na hora oportuna". Quase rompidos Estão abaladas as relações políticas e pessoais do prefeito de Surubim José Arruda (ex-PSB) com os familiares de Antonio Farias. Ele é responsabilizado abertamente pela não reeleição para a Assembléia Legislativa do ex-deputado José Augusto Farias (PSB). Que, num colégio eleitoral de 30 mil eleitores, obteve apenas 3.500 votos. Arruda já está de braços dados com Sérgio Guerra (PSDB). A convite do prefeito João Lyra (PSB), o governador inaugura hoje a iluminação do Aeroporto de Caruaru, iniciada no governo passado. E depois irá ao pátio do forró. Também convidado, o deputado Tony Gel (PFL) estará lá. Quando Sarney era presidente e se ausentava do país, FHC costumava dizer: "A crise viajou". ACM, especialista em fabricar crises, está na Europa há uma semana e ninguém do governo ousa atacá-lo. Só quem teve a coragem de fazê-lo foi Michel Temer (PMDB). E no mesmo tom em que foi atacado. O corregedor-geral da Câmara, Severino Cavalcanti (PPB-PE), tem sido bastante tolerante com o deputado-capitão Jair Bolsonaro (PPB-RJ). Que prega o fechamento do Congresso, lamenta que os golpistas de 64 não tenham fuzilado "uns 30 mil", inclusive FHC, e que o ex-padre José Antonio Monteiro não tenha sido torturado e morto pelo delegado federal João Batista Campelo. Única representante do PCdoB na Assembléia Legislativa, a deputada Luciana Santos (PCdoB), ao fazer uma abordagem sobre a guerra dos Bálcãs, criticou o presidente Bill Clinton e a "subserviência" da diplomacia brasileira aos interesses dos Estados Unidos. |
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