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Magalhães tenta "frear" corrida sucessória

No final da tarde de ontem, o governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) e o prefeito do Recife, Roberto Magalhães (PFL), reuniram-se no Palácio Campo das Princesas, a pretexto de uma conversa administrativa. O tema principal, no entanto, foi a sucessão municipal. Preocupado com a antecipação da discussão sobre o pleito do ano que vem e de como isso poderia afetar a sua gestão, Magalhães teria procurado o governador para tentar frear as especulações em torno da aliança PMDB/PFL em 2000.

Magalhães, porém, assegurou que foi conversar a respeito de um projeto estruturador que será realizado em parceria pelo dois governos, e para pôr Jarbas a par das negociações do Orçamento Participativo. No entanto, nenhum secretário ou vereador foi convidado a participar da reunião. Apenas os dois vices - Raul Henry (PMDB), e Mendonça Filho (PFL) - estavam presentes, confirmando os rumores de que o encontro seria para discutir o posicionamento que a aliança assumirá nas eleições do ano 2000.

A preocupação de Magalhães em desmentir o motivo da reunião é, segundo uma fonte ligada ao prefeito, porque ele teme a detonação precoce da sucessão, o que encurtaria seu mandato, já que seria necessário redirecionar sua administração. Recentemente, dois possíveis candidatos dentro da aliança foram apontados como alternativas a Magalhães: os deputados Carlos Eduardo Cadoca (PMDB) e Joaquim Francisco (PFL). Isso teria irritado o prefeito.

Roberto Magalhães voltou a afirmar que considera cedo para entrar nessa discussão e não confirma se é candidato ou não. "Como todos sabem nunca vi com simpatia a reeleição e não me considero dono da aliança. Mas se achar que minha candidatura é estratégica para sua manutenção me colocarei a disposição", afirmou. No entanto deixou entender que disputará a sucessão, ao opinar sobre temas como incompatibilidade e a orientação dos "caciques" Jarbas Vasconcelos (PMDB) e Marco Maciel (PFL).

Mesmo mantendo a linha de que representa uma opção da aliança, o pefelista admite que já andou fazendo pesquisa de intenção de voto. "Hoje eu tenho uma pesquisa dizendo que sou o mais forte (candidato da aliança)", afirmou, negando-se a dizer quem seria o segundo apontado pela pesquisa e qual a diferença entre eles. Comenta-se nos bastidores que esta pesquisa teria sido encomendada pelo PFL e indicaria Roberto Magalhães como o mais forte candidato com cerca de 50% a mais na preferência do eleitorado em relação a Joaquim Francisco.

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Jornal do Commercio
Recife - 23.06.99
Quarta-feira