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ACAMPAMENTO
Agricultores reagem à ação da PM em Barreiros

Policiais militares destruíram, ontem de manhã, 120 barracas de famílias de trabalhadores que ocupam os 1.100 hectares do Engenho Tentugal, no município de Barreiros. Houve confronto, porque os acampados reagiram e quatro pessoas foram presas. A ordem de despejo foi determinada pela Justiça, mas, segundo os trabalhadores, não foi mostrado a eles nenhum documento com a assinatura de um juiz. Mesmo com o acampamento desmontado, as famílias permaneceram no local.

"Eles já chegaram espancando todo mundo, dando tiro de revólver e de espingarda, destruindo as barracas e levando trabalhador preso", contou revoltado José Gonçalo da Silva, 32 anos. O coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), Jaime Amorim, não estava na hora do confronto, mas ficou indignado com o que lhe foi relatado. "Os companheiros contaram que o clima foi de terror. Além de derrubar o acampamento, a polícia retirou trabalhadores de suas casas. Foi uma situação terrível. Prenderam quatro pessoas, entre elas Edvaldo, coordenador do MST na região da Mata Sul", resumiu.

Segundo a 3ª Companhia de Polícia Militar de Barreiros, que executou a ação de despejo, não foi preso nenhum Edvaldo. Foram detidos Josival da Silva Souza, Aloísio Leocádio da Silva, Amaro Antônio da Silva e José Antônio do Nascimento.

O Engenho Tentugal já havia sido invadido pelas 150 famílias no dia 21 de março, quando o MST realizou 41 ocupações em todo o estado. "O engenho pertence à Usina Barreiros, que faliu e não pagou as obrigações trabalhistas aos empregados", explicou a assessora de imprensa do movimento, Janeide de Souza. No dia 25 de maio as famílias foram despejadas pela Justiça, mas logo depois voltaram a ocupá-lo. "Elas sempre trabalharam e moraram no engenho", garantiu.

SERRO D'ÁGUA - A Polícia Militar não confirmou, mas Jaime Amorim disse que policiais também destruíram, ontem de manhã, o acampamento do Engenho Serro D'Água do Tanque, próximo ao Tentugal. Oitenta famílias ocuparam o engenho, de 800 hectares, no dia 23 de março e seis dias depois foram despejadas pela Justiça. As famílias se abrigaram no Tentugal até o dia 19 de maio, quando retornaram ao Serro D'Água.

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Jornal do Commercio
Recife - 23.06.99
Quarta-feira