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SÃO JOÃO III
Shows animam noites de Vitória de Santo Antão

Um dos principais centros de produção de destilados do país, Vitória de Santo Antão, a 51 quilômetros do Recife, é a terra dos engenhos de aguardente e um dos grande pontos da nossa rota. Um dos municípios pioneiros na produção sistemática de cachaça, que teve início em meados do século 17. No Pátio do Forró, a partir deste final de semana, todas as noites serão embaladas pelo forró de gente como Novinho da Paraíba e banda Cavalo de Pau. Com a caninha para esquentar o frio das noites juninas, o negócio é cair no arraial.

É São João, mas a História permanece silenciosa nos recantos e prédios antigos de Vitória de Santo Antão. Lá se deu a primeira derrota holandesa em terras brasileiras. O ano foi 1645, e o lugar, o Monte das Tabocas, que está sendo priorizado pela Prefeitura Municipal como o principal centro de visitação turística. Depois dessa derrota em Vitória, os holandeses sofreriam novas derrotas em Casa Forte e no distrito de Tejucupapo, em Goiana, até culminar com a expulsão do povo flamengo com as duas Batalhas dos Guararapes. O local histórico de Vitória é bastante procurado por campistas que vão atrás da calma do ipês, angicos, eucaliptos e pau brasil.

Assim como os outros municípios agrestinos, Vitória de Santo Antão guarda, preservadas, construções do período colonial. O engenho Bento Velho é uma das atrações, com seu casarão repleto de antiguidades, como peças russas e móveis da Inglaterra do começo do século. Outras construções, que também possuem senzalas e capelas, típicas do período escravagista, se espalham pela localidade. Mas nem todas estão abertas à visitação. Alguns proprietários, entretanto, negociam com a Prefeitura a inclusão de seus imóveis na rota turística. O Engenho Cachoeirinha foi um dos mais recentes a engrossar essa lista.

Mesmo que seja São João e o milho predomine nos pratos à mesa, o visitante interessado na cultura gastronômica local não pode se furtar ao prazer de degustar uma boa receita da comida sertaneja, que se estende à Zona da Mata. A buchada é uma das mais tradicionais delas. Consiste numa espécie de cozido, preparado com bode ou carneiro, recheado com um picadinho do sangue coagulado e fígado. Tudo isso refogado com hortelã, limão, alho, cebola e temperos. Para acompnhar, arroz e pirão, feito, claro, com o caldo do cozido. E, já que o endereço da degustação é Vitória, um bom aperitivo deve preceder o prato.

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Jornal do Commercio
Recife - 17.06.99
Quinta-feira