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ABASTECIMENTO Falta d'água leva Ilha de Deus ao caos por CIARA CARVALHO Os moradores da Ilha de Deus, na Imbiribeira, estão vivendo em situação de calamidade. A creche da comunidade está parada há dez dias, a escola reduziu à metade o tempo de aula dos alunos e o centro profissionalizante suspendeu a fabricação de pão e picolé. Tudo pelo mesmo motivo: absoluta falta d'água. A situação é tão grave que os moradores são obrigados a buscar água de barco em comunidades próximas à ilha. Todos os dias, na maré cheia, eles enchem os barcos de baldes, tonéis e vasilhames e vão até o Pina, em busca do produto. O caos chega a criar uma realidade contraditória: num local onde não existe nem saneamento básico, as crianças já se acostumaram a tomar banho de água mineral. Tudo na Ilha de Deus ajuda a agravar o problema. Primeiro, o único acesso à comunidade é um pontilhão, onde só passam pedestres. Caminhão-pipa, nem pensar. Segundo, nos raros dias em que existe água da Compesa, o produto vem com pouca força e não consegue chegar aos canos de todas as casas e barracos. Ontem, dia de água na comunidade, a maioria das torneiras continuava seca para o desespero dos moradores. As três cisternas da creche também permanecem completamente vazias há mais de um mês, embora tenham capacidade, cada uma, para 4 mil metros cúbicos de água. A líder comunitária Eunice Maria da Silva diz que as 59 crianças atendidas pela creche estão sem receber assistência porque não existe água nem para beber. Na Escola Municipal Santo Antônio, a situação é igualmente precária. As quatro horas de aula foram reduzidas para duas por causa da falta do produto. Se no meio da aula algum aluno quiser beber água ou usar o banheiro tem que ir até em casa. "É um absurdo que a comunidade tenha médico, professor, enfermeiro, e todas as atividades estejam paradas ou funcionando precariamente porque não não chega água nas torneiras. Exxigimos o mínimo de respeito", critica dona Eunice. A lavadeira Valneide Silva dos Santos reforça a reclamação da líder comunitária. Ela afirma que nos últimos dias tem sido obrigada a comprar botijões de água mineral até para dar banho nos três filhos. "Agora, diga se o povo daqui tem dinheiro para ficar gastando com água mineral? Ainda mais para tomar banho", questiona. Valneide diz que a saída que existe para os que não têm condições de comprar os botijões é recorrer à mare na hora do banho. "É melhor dormir salgado, do que sujo", conforma-se. |
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