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SAÚDE
Nova terapia reduz número de mortes em pacientes cardíacos

Uma nova terapia reduz em até 30% o número de mortes em pacientes com insuficiência cardíaca, um problema que atinge mais de 20 milhões de pessoas em todo o mundo. A pesquisa, coordenada pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, observou o efeito causado pela adição, em baixas doses, de uma droga conhecida como espironolactona, um diurético, nesses tratamentos. A novidade foi discutida, ontem, durante o 54ª Congresso Brasileiro de Cardiologia, que aconteceu no Centro de Convenções.

Participaram do `Rales' - sigla americana para o estudo de avaliação da eficácia da espironolactona - 1.633 pessoas que apresentavam insuficiência cardíaca grave. Desse total, os pacientes foram divididos em dois grupos para comparação. Um deles tomou a espironolactona e o outro, placebo, um comprimido sem droga ativa. Interrompido com 18 meses de antecedência, os pesquisadores comprovaram que 46% das pessoas no grupo do placebo morreram, contra os 35% da espironolactona. Além disso, a redução de hospitalizações foi de 35%.

Segundo o médico cardiologista do Instituto do Coração de São Paulo Luciano Nastari, um dos coordenadores do `Rales' no Brasil, descobriu-se, com isso, que a espironolactona, em doses de 25 mg, produzia um efeito bloqueador à aldosterona, um hormônio que desenvolve a insuficiência cardíaca. "Esse tipo de tratamento poderá representar uma economia para o país entre R$ 45 e 50 milhões por ano", ressalta.

Dados do Ministério da Saúde revelam que, em 1997, o SUS gastou cerca de R$ 150 milhões com internamentos provenientes de insuficiência cardíaca em todo o país. Para o presidente regional da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Antônio Carlos Toscano, é preciso saber se o tratamento poderá ser indicado para todos os pacientes de uma forma geral. Ele questiona sobre as pessoas que apresentam insuficiência no seu estágio inicial. "Vale lembrar que esse trabalho é bastante recente, só com o tempo poderemos ter resultados mais concretos".

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Jornal do Commercio
Recife - 23.09.99
Quinta-feira