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CRIME
Mulher acusada de prostituir menores

Foi presa em flagrante na noite de anteontem a comerciante Valcreide Mendes, 30 anos, conhecida como "Campina". Ela é proprietária do bar Shirley, em Santa Cruz do Capibaribe, onde menores são induzidas à prostituição. A polícia chegou até Valcreide, depois de uma denúncia feita pela menor O.S.B., 13, que estava desaparecida desde 23 de julho. Valcreide foi levada para a Diretoria de Polícia da Criança e do Adolescente, onde foi reconhecida pela menor.

Para manter o esquema de prostituição, Valcreide contou que costumava viajar para outras cidades a procura de meninas que quisessem trabalhar "em casa de família". Sem se importar com a idade das moças, levava-as para Santa Cruz do Capibaribe, onde logo estavam trabalhando no bar Shirley. Ali, as meninas eram orientadas a beber com os homens e procurar agradá-los. "Não cobrava nada delas, a não ser os R$ 5,00 do quarto e mais R$ 1,00 pela camisinha", garantiu. A menor O.S.B., no entanto, desmente essa informação. Ela garante que todo o dinheiro ganho com a prostituição foi parar nas mãos da comerciante. "Costumava receber R$ 10,00 por um programa e dava tudo a ela para pagar um calçado e algumas roupas que tinha comprado", diz.

A menor O.S.B. conheceu Valcreide no final de julho. "Ela perguntou se eu gostaria de trabalhar na casa dela. Respondi que sim e fui embora sem avisar a meus pais". Quando chegou em Santa Cruz, Valcreide informou a O.S.B. que possuía um bar, onde algumas meninas trabalhavam. "Três dias depois, eu já estava trabalhando lá", conta. Depois de um mês de trabalho, a menor fugiu para Surubim, levada por um rapaz que conheceu no bar Shirley e acabou se prostituindo novamente. A delegada da DPCA, Genezil Barros, responsável pela prisão de Valcreide, acredita que também deve haver outra pequena rede de prostituição nessa cidade.

Valcreide deve ser processada por favorecimento à prostituição, Manter Casa de Prostituição e Rufianismo (manter-se às custas da prostituição de terceiros). Se for condenada pode pegar de 1 a 5 anos por crime. "Eu sabia que estava errada, mas não podia abandonar o trabalho. É com ele que mantenho minha mãe e meus filhos".

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Jornal do Commercio
Recife - 23.09.99
Quinta-feira