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REFORMA AGRÁRIA Recuperada carga saqueada por sem-terra Policiais militares conseguiram recuperar 80% da carga de quase seis mil quilos de frango, saqueada anteontem por integrantes do movimento dos sem-terra, no município de Buenos Aires, na Mata Norte. Durante a apreensão da carga, escondida em um matagal nas proximidades do Engenho Várzea Grande, houve troca de tiros, mas ninguém saiu ferido. No mesmo dia, os sem-terra também saquearam caminhões em Xexéu e Vicência. Nenhum agricultor foi preso durante a operação militar. Os saques realizados pelo MST aconteceram na manhã de anteontem. Em Buenos Aires, cerca de 60 sem-terra dos engenhos Várzea Grande, Criméia e Morojó bloquearam com paus e pedras a BR-408, nas proximidades do Engenho Lagoa. Uma caminhão-baú, da empresa Mauricéia Alimentos foi interceptado e o motorista Sandoval Amâncio de Oliveira teve que seguir para o engenho Várzea Grande, onde a carga de frango foi saqueada. Os dois ajudantes do motorista, Hélio Luiz da Silva e Germano Ribeiro dos Santos, que foram liberados pelos sem-terra, prestaram queixa na delegacia de Vicência. Um efetivo de mais de 20 homens do 2º batalhão de Polícia Militar de Nazaré da Mata seguiu para o local, conseguindo recuperar a carga. De acordo com informações prestadas pelo Capitão Beltrão, da Assessoria de Comunicação da PM, os sem-terra estavam armados de revólver, facas e foices e resistiram à ação da Polícia, ocasionando uma rápida troca de tiros no local. "Mas ninguém saiu ferido", afirmou. Os outros saques promovidos pelo MST aconteceram em Xexéu, na BR-101, e em Vicência, na PE-74. Segundo informações prestadas pelo movimento, nos dois saques, os sem-terra conseguiram pegar 1,3 mil fardos de fuba de dois caminhões. Esses alimentos não foram recuperados pela polícia. O coordenador estadual do MST, Jaime Amorim, afirmou que os saques, que aconteceram quase simultaneamente nos três municípios - por volta das 7h. da manhã -, não foram planejados. "O povo está cansado de esperar por uma resposta que não vem", disse, referindo-se a falta de distribuição de alimentos nos acampamentos, suspensa pelo Incra desde maio. "Enquanto os governos estadual e federal não tomam providências, as pessoas vão buscando uma forma de sobreviver". Amorim desmentiu a informação da polícia de que os sem-terra que saquearam a carga de frango estariam armados de revólver. |
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