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ARQUEOLOGIA Pintura indica prática musical na Pré-história Na tradição Nordeste de pintura rupestre há indícios de prática musical por parte dos povos pré-históricos que habitaram o Parque Nacional da Serra da Capivara, localizado em São Raimundo Nonato (PI). O assunto foi tema da dissertação de mestrado da arqueóloga Cristiane Buco, defendida no início do ano e apresentada ontem durante a 10º Reunião Científica da Sociedade de Arqueologia Brasileira, que acontece até amanhã na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A pesquisadora visitou cerca de 160 sítios arqueológicos, durante dois anos, mas só constatou referências musicais em quatro deles. "É impossível reconstituir o som daquela época, mas pelos instrumentos desenhados nas paredes dos abrigos e pela gestualidade de algumas figuras humanas retratadas consegui identificar o uso do maracá e de flautas", explica Cristiane. Por ocasião da visita do índio Balbino Krahô, da tribo Aldeia Branca, de Tocantins, ao Parque, foi possível também associar alguns desenhos a danças pré-históricas. Um dos elementos que auxiliaram a pesquisa foi uma flauta de madeira, datada de mais de 500 anos, encontrada em um dos sítios. A partir dela, Cristiane comparou-a com as figuras desenhadas e concluiu que realmente havia o elemento musical nesses povos. Baseada na observação dos gestos presentes nas danças e de como usavam os instrumentos - a maneira que seguravam o maracá, por exemplo -, Cristiane Buco levantou a hipótese de que os índios da tribo Jês seriam herdeiros dessa cultura, mas ainda não há estudos conclusivos sobre o assunto. |
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