FEMININA
Na área, é
preciso cuidado com elaspor
PEDRO MORAIS
Antes do novo milênio, as mulheres
rompem as barreiras do preconceito. O esporte mais
apaixonante do País, o futebol, conta com a
participação efetiva do sexo `frágil'. Das
arquibancadas, elas chegaram às quatro linhas do
gramado. Em campo, de chuteiras e calção, um toque de
charme mistura-se com jogadas rígidas, até o
emocionante grito de gol. Charles Miller que desculpe,
mas futebol não foi feito só para homem.
Este ano a Federação Pernambucana de
Futebol (FPF), realiza seu primeiro campeonato de futebol
feminino. Até agora, passada a sétima rodada do
primeiro turno, as meninas balançaram as redes 137 vezes
em 39 jogos, numa média de 3,5 gols por partida. Mas
quem diria, as mulheres envolvidas na emocionante magia
do futebol? Confira um pouco da história de Carla (Santa
Cruz), Jô (Sport) e Ninha (Nápoles), as principais
artilheiras do Campeonato Feminino.
QUEM SÃO - Andrea Carla, 18
anos, é artilheira do Santa Cruz, com nove gols.
Iniciou-se no futebol aos oito anos. Com 16, vestiu a
primeira camisa de clube, o Cocal de Cajueiro. "No
começo eu não sabia dizer nem o nome da minha
posição", comenta. Carla jogou ainda no São Paulo
de Nova Olinda, e no Beira-Mar de Paulista.
Durante o dia, Carla estuda e ajuda nas
tarefas de casa. Está cursando a 6ª série do 1º grau.
"Antes eu vendia passe estudantil no Recife",
conta. Quanto a namoro, compromisso sério, nem pensar.
"O meu futuro está em jogo, meu namorado atualmente
é a bola", afirma Carla, que torce pelo Santa Cruz
e acha Ronaldinho o melhor do mundo.
Jô, Josenir Martins, 17, é a
artilheira do Sport, com oito gols. Aos 15 anos, começou
no Barcelona de Casa Amarela, defendeu o Santa Cruz e
jogou futsal pelo Sport, tendo sido campeã pernambucana
em 98. Foi vice-artilheira da Copa Ouro Preto/99 e
considera Roberto Carlos o melhor jogador da atualidade.
Residente em Casa Amarela, Jô auxiliaa
seu pai numa mercearia. Rubro-negra de coração, acha o
Palmeiras o melhor time nacional do momento. Rivalidade
para ela, só dentro de campo: "Fora, todo mundo é
amigo, mas no gramado a história é diferente, jogo pra
valer". Nas horas vagas bate uma peladinha no meio
dos homens. "Jogo mesmo, eles gostam do meu
futebol".
Com 21 anos, Ninha (Edivânia Miranda)
é a mais experiente das três. Sua trajetória como
atleta é vitoriosa: tricampeã do Peladão, pelo
Nápoles, e artilheira por onde passou, tendo até
participando do Campeonato Baiano pelo Galícia. Ninha,
que está sendo pretendida pela Portuguesa de Desportos,
de São Paulo, não esconde sua admiração pelo craque
pernambucano Rivaldo, do Barcelona, a quem considera o
melhor jogador da atualidade.
Oportunista e veloz, Ninha é a
principal goleadora do Campeonatoo, com 11 gols. Para
ela, o campeonato é um passaporte para o Sul. "É
uma oportunidade de ouro para nós atletas",
observa, salientando que preconceito é coisa do passado.
"Na preliminar contra o Sport, levamos uma vaia, mas
já me acostumei". Solteira, depende dos pais, seus
principais incentivadores.
MAIS GOLS - Carla, Jô e Ninha
prometem ainda balançar muitas vezes as redes
adversárias. De opiniões iguais, destacam o gol como um
momento que contagia, e que provoca uma sensação
inexplicável no terreno dessa magia chamada futebol. Os
times das três artilheiras ocupam as primeiras
posições do Campeonato, nesta ordem: Santa Cruz, 22
pontos, Sport, 21, e Nápoles, 19.
-----------------------------------------------------------------------