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ÍNDICE Mais mulheres têm doenças coronárias Há cerca de quatro meses, a professora Maria Cristina da Rocha, 36 anos, começou a sentir fortes dores no peito e perceber um inchaço numa veia próxima ao coração. Mesmo sendo hipertensa, pensou que fosse algum sintoma menstrual e não deu a devida atenção ao fato. Como o período de menstruação passou e as dores continuaram, só então Maria Cristina resolveu ir ao médico. Resultado: oito dias após a consulta, estava internada para uma cirurgia de ponte de safena. "Nesse período, ela poderia ter sofrido uma morte súbita por enfarte fulminante", avalia Tomás Mesquita, cardiologista do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros da UPE. O exemplo da professora é apenas mais um entre os milhares de casos de mulheres acometidas por doenças cardiovasculares no Brasil e no mundo e que, em sua maioria, negligenciam a situação, tornando-se vítimas fatais. Só para se ter uma idéia, de acordo com dados divulgados durante o XIII Congresso Mundial de Cardiologia, realizado em l998, no Rio de Janeiro, os ataques cardíacos são a maior causa da morte feminina no ocidente, superando em seis vezes o câncer. As explicações para esse aumento do número de mulheres com problemas cardiovasculares - que inclui o enfarte do miocárdio, a insuficiência cardíaca e os derrames cerebrais - são não só médicas, mas, principalmente, sociais. Nos últimos trinta anos, o processo de emancipação feminina tem levado as mulheres a assumir uma atividade intelectual e executiva nunca antes imaginada. Hoje, elas disputam postos semelhantes aos dos homens no mercado de trabalho e arcam com problemas de ordem financeira e doméstica, caracterizando a sua tão conhecida dupla jornada, cujas conseqüências imediatas são o estresse e a hipertensão. Somam-se também hábitos prejudiciais à saúde como o consumo de álcool, o tabagismo, o sedentarismo e a má alimentação - típicos da vida moderna. Todos esses fatores associados constituíram o atual quadro de desgaste em que se encontra o coração da mulher. Apesar de tais indícios, tanto pacientes quanto médicos continuam incorrendo no erro de interpretar mal os sintomas de patologias coronárias femininas, segundo alerta Mesquita: "Como até pouco tempo quem mais sofria de enfarte era o homem, há uma certa acomodação do médico que subestima a mesma possibilidade na mulher. Mas nós tentamos no dia-a-dia do consultório combater essa idéia que ficou difundida". De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, as mulheres apresentam ainda outras desvantagens em relação ao homem no que se refere às doenças coronarianas, entre as quais: um maior índice de mortalidade após o primeiro enfarte (39% contra 31% deles); a probabilidade de um segundo enfarte (40% dos casos, enquanto nos homens o índice é de 31%) e o não reconhecimento das cardiopatias em seu estágio inicial (31% das ocorrências, contra 28% deles). Além disso, a massa muscular e a superfície corpórea do coração feminino são menores que as do masculino e as artérias coronárias são mais finas e menos calibrosas. Para o médico Celso Ferreira, presidente do Funcor e titular de cardiologia da Faculdade de Medicina do ABC, outra causa fundamental do crescimento significativo de doenças coronarianas entre o público feminino é o aumento da expectativa de vida, que passou de 47,1%, em 1940, para 7l,7%, na década de 90. Isso porque até alcançarem a menopausa - por volta dos 45 anos - as mulheres estão protegidas por um hormônio chamado estrógeno ou estrabiol, que exerce ações importantes no organismo como a redução do colesterol ruim (LDL) e o aumento do colesterol bom (HDL), além do favorecimento de uma estabilidade dos vasos sangüíneos, diminuindo a coagulação do sangue e, assim, a incidência dos AVCs (derrames) e enfartes. "O estrógeno também consegue melhorar a circulação das artérias coronárias que alimentam os músculos do coração com oxigênio e nutrientes", reforça Mesquita. REPOSIÇÃO: SIM OU NÃO? - Na faixa de 45 a 55 anos, período que se caracteriza por uma queda na taxa dos hormônios, o risco de a mulher desenvolver uma patologia coronariana passa a ser igual ao do homem. A partir da terceira idade, então, a proporção é de dois por um em relação a eles. Nesse caso, alguns médicos recomendam que seja feita a reposição hormonal, acompanhada por um ginecologista e um cardiologista com experiência no assunto. O método, no entanto, é polêmico, uma vez que apresenta diversas contra-indicações, sendo a possível multiplicação de células cancerígenas a mais temida. "Nem todas as mulheres podem e devem fazer reposição. Antes é necessário um rastreamento para verificar toda a história de saúde da paciente". Na prática, o que todos os médicos concordam é que a prevenção ainda representa a melhor maneira de se mudar as estatísticas. Para tanto, algumas dicas são: consulta periódica ao especialista, controle da pressão arterial, do colesterol, da obesidade e da diabetes, prática de exercícios físicos regulares, combate ao estresse, reeducação alimentar, não fumar e evitar o excesso de bebidas alcoólicas. |
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