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HIPOCONDRIA III
Pacientes viram alvo de brincadeira dos amigos

É difícil para o próprio hipocondríaco identificar a sua doença. Ele sempre acha que a sua preocupação exagerada é normal. Uma dor de cabeça, por exemplo, pode ser sinal de um tumor maligno. Uma dor no peito, anúncio de um ataque cardíaco. Geralmente são as pessoas do círculo social do paciente que se dão conta do problema que, ao transformá-lo em brincadeira, acabam por aumentar ainda mais a ansiedade do doente.

A estudante Valéria, 22, tem vergonha de reconhecer a sua "mania de doença" e não se identifica. As piadas dos amigos começaram após ela sugerir que podia ter contraído o vírus Ebola. Valéria assistiu à enxurrada de notícias sobre o surgimento do devastador vírus e, ao ouvir informações sobre os sintomas, ficou preocupada. "Eu nunca penso que uma dor qualquer pode ser uma besteira. Mas odeio tomar remédio. Minha hipocondria é mais leve", acredita.

Tem hipocondríaco que fica chateado quando o médico nega a sua doença. "Sempre acho que os exames negativos estão errados. Eu tenho certeza que algo muito sério vem acontecendo comigo", garante o aposentado identificado por João, 67 anos. Ele mantém, contrariando a família, o ritual de tomar vários remédios antes de dormir, a fim de evitar dores de cabeça, estômago e gripes na manhã seguinte.

Já o assessor parlamentar Alexandre Benning, 42, assume a mania por remédios, mas com a ressalva de não ser "hipocondria" e sim um sonho de criança. "Sempre quis ser médico. Tentei o vestibular três vezes seguidas e fui reprovado. Então, resolvi aprender sobre todos os medicamentos para ajudar amigos meus", argumenta. Alexandre anda com sua mala (até mesmo quando vai a shows) com mais de 30 tipos de remédios diferentes. Antes de tudo, eles são para uso pessoal. "É que eu tenho problemas de garganta, barriga, dor de cabeça, coluna, nervos... Vivo doente", queixa-se.

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Jornal do Commercio
Recife - 19.09.99
Domingo