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SOFTWARE II
Tecnologia peca por entrecortar a voz

Freqüentador dos canais da Undernet, uma rede paralela de Internet Relay Chat, o estudante universitário Wladson Santos, 21 anos, foi levado aos netfones pela curiosidade natural das salas de bate-papo. "É aquela coisa: você conversa com a pessoa no chat, depois quer ver a foto. Ouvir a voz é uma decorrência natural do processo", afirma.

Depois de estrear com o NetMeeting, da Microsoft, Wladson Santos usou diversos programas, mas nunca escapou da voz entrecortada, a maior reclamação de todos os usuários dos netfones. "Todos eles trabalham com compactação de dados e a maioria já vem com padrões pré-definidos. Somado a isso, tem-se a variação da velocidade da conexão, congestionamentos... Isso tudo pode prejudicar a conversa, que, na maioria das vezes, fica partida", explica ele, aluno de engenharia elétrica da UFPE.

A melhor opção para minimizar esse problema foi encontrada pelo estudante no programa Speak Frealy. "De todos os que eu já usei, ele é o único que permite ao usuário configurar os padrões de compressão de acordo com o hardware daquele determinado computador", recorda-se. Outra boa escolha, na opinião de Santos, é o IParty, um software que funciona como walkie-talkie. "A pessoa diz a frase toda e envia. Do mesmo modo, só recebe a frase completa do interlocutor", diz. Nesse caso, apresenta-se o problema do delay, a diferença de tempo na recepção do áudio. "Perde-se um pouco em veracidade", lamenta.

As desvantagens tecnológicas são compensadas, na maioria das vezes, pela economia finaceira conseguida com os netfones. A jornalista baiana Elizângela Amorim economizava mais de R$ 200,00 por mês quando usava o NetMeeting. Uma amiga morando em Berlim, na Alemanha, foi o motivo para a instalação do programa. Mesmo com os congestionamentos na Internet e os `defeitos' das conversas, Elizângela é fã dos netfones. "Posso fazer mil e uma outras coisas enquanto estou conversando. Além disso, tem o conteúdo emocional da voz", argumenta.

O analista de sistemas Adailson Soares, 34 anos, é outro que só tem elogios para os netfones. "Você acaba selecionando melhor as pessoas com quem conversa", defende. Utilizando os programas para bate-papos pessoais e, às vezes, profissionais, Soares tem em seu micro um Internet Phone 4.5. "A interface é bem simples e o usuário logo se acostuma com os comandos, bastante intuitivos", diz. O recurso de full-duplex (transmissão simultânea de dados entre o emissor e o receptor) está disponível no programa. "Caso a palca de som não suporte, o drive pode ser obtido de graça na Rede".

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Jornal do Commercio
Recife - 22.09.99
Quarta-feira