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HARDWARE
Chave de proteção barra cópias piratas de software

por FABÍOLA BLAH
blah@jc.com.br

Copiar programas sem autorização do desenvolvedor, usá-lo como bem entender, muitas vezes fazendo cópias da cópia e revendendo-as. Os piratas de software sempre encontram um jeito para ganhar dinheiro em cima do trabalho dos outros - e as empresas que descubram maneiras para se protegerem da pirataria digital. Um meio pouco difundido - ou menos conhecido - é um plugue de proteção conhecido como hardlock. Alguns programas só funcionam se o computador tiver essa peça conectada à porta paralela.

O nome hardlock, na verdade, é impróprio, já que se trata de marca registrada pela Aladdin para o produto. Além dela, somente a Proteq fabrica e comercializa no país a chave de proteção. Os plugues contêm uma combinação de bytes que funciona como senha para liberação do acesso ao programa. A cada vez que o software é iniciado, uma de suas rotinas vai procurar essa informação. "Se o plugue não estiver lá, o programa simplesmente não roda", afirma o diretor da Analitec e representante da Proteq no Recife, Ricardo Souto.

A proteção não é 100% segura. "Quem entende realmente de informática pode, por exemplo, debulhar o programa e apagar a instrução que obriga o acesso à chave", explica Souto. Assim, os plugues funcionam como mais uma tentativa de redução da incidência de cópias ilegais.

A Symantec, fabricante do Norton Antivírus, é uma das empresas que prefere o controle via software. O diretor regional Vicente Lima questiona a praticidade dos plugues. "Eles acabam se transformando num hardware a mais para ser adicionado, muitas vezes gerando incompatibilidade com a máquina", explica. A empresa usa o Norton Your Eyes Only, ferramenta que encripta com combinações de 40 bits os dados arquivados no winchester. "O programa protege o HD e só com login e senha as informações podem ser acessadas", diz Lima.

Na opinião do secretário executivo da Associação Brasileira de Softwares (Abes), Anselmo Gentilli, as empresas fazem vista grossa para mecanismos de segurança como os plugues. "Como aumenta o custo final do produto, elas optam pela exclusão dessas travas", explica. Ele acredita que o fator financeiro pesou para o uso dos hardlocks pela Autodesk, que incluiu o plugue no pacote do AutoCAd, software para desenho arquitetônico e engenharia: "Num programa como o AutoCAD, com valores ultrapassando os US$ 4 mil, incluir uma chave de proteção que custe R$ 50 a mais não faz muita diferença".

Por outro lado, os pequenos desenvolvedores podem sofrer com isso. "Se o hardlock custa R$ 10 e o software R$ 20, certamente não vale a pena encarecer o produto assim", exemplifica Gentilli. "No final das contas, é mais um instrumento de proteção que funciona por algum tempo. Com a evolução diária e crescente da tecnologia, com certeza encontrarão um jeito de quebrar a segurança do plugue", lamenta.

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Jornal do Commercio
Recife - 22.09.99
Quarta-feira