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GOVERNO
A difícil solução para a Sudene

por ROSÁLIA LIMA

Quando aceitou a missão - dada pelo ministro (e correligionário) da Integração Nacional, Fernando Bezerra - de indicar um substituto para Aloísio Sotero (PFL) na superintendência da Sudene, o governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) ficou com uma `batata quente' na mão. A aceitação do governador implicou também no envolvimento de todo o secretariado na busca de uma solução.

Mas por ser um dirigente peemedebista e fazer parte do primeiro escalão estadual, coube ao secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Carlos Eduardo Cadoca, a tarefa fazer as sondagens, embora aliados, como o deputado Sérgio Guerra (PSDB), também estejam contribuindo. Até agora, porém, as duas tentativas não tiveram êxito. O empresário Paulo Drummond (do Grupo Brennand) e o consultor Ricardo Almeida (sócio da TGI-Consultoria) não demonstraram interesse no cargo.

Envolvido no tiroteio com o deputado Eduardo Campos (PSB), que o acusou de improbidade administrativa, o governador só debruçou-se sobre o assunto Sudene na segunda-feira, a partir de uma conversa com Sotero. A partir dai, inclusive, surgiu a alternativa Ricardo Almeida, só contatado por Cadoca na anteontem à noite. Cadoca nega sua missão (quase) secreta. O secretário também deu a entender que Drummond foi sondado e recusou. Diante das negativas, fala-se agora que Jarbas deverá partir para uma solução caseira. Deslocar alguém do próprio secretariado.

E no terreno das especulações surgem os nomes dos secretários Cláudio Marinho (Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente) e Jorge Jatobá (Fazenda). Apesar de Marinho (um engenheiro civil e economista conhecido nacionalmente pelo trabalho na presidência da Softex) nunca ter tido filiação partidária, permanece fiel escudeiro de Jarbas desde a campanha para a Prefeitura do Recife, em 85. Nos bastidores também são citados os nomes do superintendente de Suape, Sérgio Kano (um consultor da ADM&TEC, considerado como um gerente qualificado e com bons contatos empresariais) e o presidente da AD Diper, Cléber Dantas (um ex-diretor do Banco do Nordeste), que, por isso mesmo, poderia ser uma ponte entre os recursos do banco e os projetos da Sudene.

Procurado, ontem, pelo JC, Marinho surpreendeu-se com a lembrança de seu nome. Apesar de admitir que todo o secretariado está envolvido na tarefa de ajudar na busca de uma solução, afirmou que a Sudene não é o seu lugar. "Não sou o perfil adequado para o trabalho que tem de ser feito. Aquele é um cargo que exige um nível de articulação que eu não tenho", descartou.

Quanto a Jatobá, há pouco mais de uma semana sinalizou numa conversa com o JC ter interesse pelo cargo, embora não tenha dito textualmente. "Gosto do tema (desenvolvimento regional) porque foi a área a qual dediquei boa parte da minha vida acadêmica", resumiu. Economista que antes vir para o Governo detinha cargo no Ministério do Trabalho e dava consultoria ao Bird e a OIT, também tem ligações com o governador desde a primeira tentativa de Jarbas de chegar ao Governo, em 1990. Atualmente, seu trabalho na Pasta da Fazenda sofre críticas até de dentro do Palácio.

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Jornal do Commercio
Recife - 23.09.99
Quinta-feira