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CACHOEIRAS No interior, um banho de natureza por MONA LISA DOURADO Integrar lazer e natureza. Esse é o princípio básico do turismo ecológico, que promete ser a melhor pedida deste verão. Longe das praias urbanas lotadas e dos bares e boates badalados, há lugares quase desconhecidos no interior de Pernambuco que representam uma alternativa ideal para quem procura sossego e pouco gasto nesta temporada. Bonito, São Benedito do Sul, Saloá, Gravatá e Primavera são alguns dos municípios que compõem a trilha das águas pernambucanas, cujo roteiro vai ao encontro das inúmeras e lindíssimas cachoeiras emolduradas por trechos de Mata Atlântica, a menos de duas horas do Recife. Quem tiver espírito aventureiro e resolver encarar um programa diferente e ousado, passando por estradas de barro, caminhos dentro da mata e trechos íngremes, será recompensado com cenários surpreendentes de águas frias e deliciosas em piscinas naturais que se formam em meio às rochas. Para desfrutar desses prazeres é necessário, além da disposição, incorporar um comportamento ecologicamente correto. Vale lembrar que a maioria das áreas visitadas são patrimônios naturais, que não oferecem infra-estrutura turística, merecendo, portanto, ser preservadas e respeitadas. Conhecida como cidade das águas, Bonito, principal parada da rota das cachoeiras, exibe seus maiores atrativos. As quedas d'água ficam a cerca de 20 quilômetros do centro da cidade, a estrada é de barro, o trajeto é um pouco lento, mas a paisagem vale o esforço. São oito cachoeiras de nomes como Tomada do Mágico, Pedra Redonda, Véu da Noiva, Corrente, Humaytã, Encanto ou Barra Azul, esta última a maior de todas, com aproximadamente 30 metros de altura. Em muitas delas as formações rochosas e paredões convidam à prática de esportes radicais, a exemplo do cannyoning (descida de cachoeiras). Rinaldo José, praticante desse tipo de atividade há três anos, descreve a sensação de descer a Véu da Noiva, para ele, a queda mais imponente: "A interação com a natureza é total e o espírito de liberdade é incrível". A maior parte das cachoeiras de Bonito se encontra próxima ao Engenho Barra Azul, um assentamento onde está sendo desenvolvido um projeto ecoturístico. Nele, a casa-grande, a capela, as bicas, a exuberância da vegetação nativa, os campos de várzea e a Trilha Encantada, cujo percurso conduz à cachoeira do Encanto (de águas geladas e boas até para beber), compõem um cenário singular. O projeto prevê a transformação da antiga casa-grande em pousada e restaurante, a sinalização das trilhas e instalação de equipamentos de segurança em seu percurso. Tudo para oferecer apoio aos ecoaventureiros de plantão. Atualmente, a casa já está sendo alugada para visitantes. Uma das grandes descobertas do turismo ecológico, São Benedito do Sul é a próxima parada da trilha das águas. O acesso às cachoeiras desse município é difícil, portanto, aconselha-se contratar um guia a fim de evitar possíveis contratempos. As quedas d'água mais atraentes são as de Periperi, Poço do Caboclo, Aritana e Poço do Soldado. A paisagem em volta do lugar é extasiante e o banho revigorante. Saloá, no caminho para São Benedito do Sul, conta com duas cachoeiras que merecem a visita. A Cu do Bicho, que impressiona pela altura - com seus quase 100 metros - e a cachoeira da Fazenda Brejo. Esta, ambientada em um resquício de mata, tem em seu trecho inferior uma estrutura adaptada para piscina e conta com os serviços e equipamentos turísticos da Fazenda Brejo Saloá, que dispõe também, para quem tiver tempo de aproveitar, de passeios a cavalo, pescaria, banhos em fontes de água mineral e caminhadas ecológicas. As cachoeiras do Urubu, em Primavera, e da Palmeira, em Gravatá, são os últimos pontos do roteiro de quedas d'água que embelezam a Zona da Mata Sul e o Agreste pernambucanos. A primeira é mais propícia para contemplação que propriamente para banho. Já a trilha para se chegar à segunda, é um roteiro para aventureiros. A Cachoeira do Urubu, apesar de localizada num parque ecoturístico, com toda a infra-estrutura necessária ao lazer, é contra-indicada pela própria prefeitura de Primavera, que instalou uma placa no local, onde se lê: "imprópria para banho". O motivo é a poluição do Rio Ipojuca, que passa por cidades mais acima até desaguar sujo na cachoeira. Para se livrar da frustração, só mesmo se contentando com quedas menores que podem ser encontrdas no meio da mata. Quanto à Cachoeira da Palmeira, seu acesso é dificultado tanto pela longa distância que se deve percorrer para encontrá-la, como pela densa vegetação de Mata Atlântica e trechos rochosos, mas quem conseguir chegar até ela certamente não vai se arrepender. A tranqüilidade do lugar inspira muita gente a esquecer o tempo e de voltar para casa. Antes de programar o roteiro da viagem, vale conferir através dos órgãos de turismo das prefeituras ou do estado quais os lugares que apresentam condições ideais para banho, isto é, cachoeiras com volume d'água e bom estado de conservação e limpeza. "As mais escondidas são as que estão melhor preservadas", indica Edelry Leite, especialista em ecoturismo da UFRPE. Algumas agências de turismo fazem programações incluindo a trilha das águas. O preço para três dias de visita a cachoeiras de Garanhuns, Bonito, Saloá e São Benedito do Sul, por exemplo, fica em torno de R$ 140,00. Serviço Os interessados em alugar a
casa-grande do Engenho Barra Azul, em Bonito, devem ligar
para 99816802. |
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