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AVENTURA
Mergulhando em busca de navios naufragados

Recifes de corais que se estendem por toda a costa, águas mornas com temperatura de 26 graus, visibilidade de até 50 metros, fauna e flora diversificadas e, especialmente, uma grande concentração de navios naufragados. São essas as características que fazem do litoral pernambucano um dos melhores do mundo para o mergulho submarino.

O esporte, que vem ganhando cada vez mais adeptos no Recife, é hoje considerado uma importante atividade turística, principalmente na Europa, Estados Unidos e Austrália, onde já existem revistas, catálogos e agências de viagem especializadas. O diferencial de Pernambuco em relação aos outros lugares está nas embarcações encalhadas no fundo do mar, que formaram, ao longo do tempo, um rico habitat para milhares de espécies de corais, plantas e tartarugas marinhas, peixes de tamanhos e cores variados, golfinhos e tubarões.

Entre os mais de cem naufrágios catalogados - da época do Brasil-Colônia, Brasil-Império e das duas guerras mundiais - pelo menos doze podem ser explorados. São vapores, galeões, corvetas, cargueiros e rebocadores, localizados em profundidades que podem superar os 30 metros. "É uma sensação inexplicável, um mundo de beleza e silêncio que é só seu", descreve o estudante de educação física Cristiano Luna, 24, amante de esportes radicais e mergulhador há dois anos.

Para ele, o naufrágio mais bonito é o do Pirapama, que fica a seis milhas do Porto do Recife, numa profundidade de 23 metros. Esse navio afundou em 1889, dois anos depois de ter colidido com o Vapor Bahia, segundo se diz, devido a uma briga entre os comandantes das duas embarcações, por causa de ciúmes provocados por uma mulher.

Fora os antigos naufrágios, existe um navio inglês, de nome Zeus, na praia de Serrambi, afundado há pouco mais de um ano pelo empresário Homero Lacerda para fins turísticos.

De acordo com Liliane Costa, sócia da Expedição Atlântico, que opera no mercado submarino há mais de sete anos, apesar do aumento da demanda, Pernambuco ainda deixa muito a desejar no que se refere à infra-estrutura náutica. "Não existe sequer um píer público para embarque de turistas", queixa-se. "Temos um enorme potencial, um excelente produto turístico, mas precisamos de apoio, porque os custos de divulgação são altos e as empresas não suportam arcar sozinhas com esses investimentos".

COMO PRATICAR - Para ingressar nesse cenário de mistério e aventura que é a vida marinha, o primeiro passo é procurar uma empresa credenciada internacionalmente. A maioria das escolas de Pernambuco oferecem serviços de mergulho para iniciantes (o batismo), mergulhos turísticos, cursos de mergulho autônomo e livre, além de aluguel de equipamentos. As saídas, para quem já possui alguma experiência, custam entre R$ 50,00 e R$ 70,00, com direito ao transporte de ida e volta a dois diferentes naufrágios, cilindros de ar, cinto de lastro e lanche. Só o batismo sai por cerca de R$ 35,00.

Os cursos básicos de mergulho autônomo, em geral, duram uma semana e são divididos em teoria e prática. O conteúdo das aulas teóricas incluem fundamentos de física, fisiologia, ecologia, biologia marinha, primeiros socorros e noções sobre equipamentos. Já os exercícios práticos consistem em dicas sobre natação, desalagamento da máscara e procedimentos em situações adversas. No final da semana há uma saída para o mar (com o instrutor), quando se faz o check out, que equivale a uma prova prática. "Após essas etapas, o aluno recebe uma carteirinha internacional que lhe permite locar equipamentos e mergulhar em qualquer lugar do mundo", informa Liliane. O valor do curso varia entre R$ 230,00 e R$ 350,00, dpendendo da escola.

O passo seguinte para o mergulhador que quiser enriquecer seu currículo é fazer os cursos de especialização, entre os quais, mergulho noturno, profundo e de resgate. A partir das especialidades e da quantidade de mergulhos catalogados, existe, ainda, a possibilidade de o aluno se tornar um mergulhador avançado, um monitor ou um instrutor de mergulho.

Outro serviço prestado pelas operadoras ou por mergulhadores autônomos é a filmagem submarina. Por R$ 150,00, o turista pode ter registradas as próprias peripécias subaquáticas. Um aspecto importante é o de que as escolas não aceitam praticantes de caça submarina. Os alunos e turistas são orientados a respeitar a natureza. (M.D.)

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Jornal do Commercio
Recife - 23.09.99
Quinta-feira