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SAIA JUSTA
Incrível, mas ninguém se esconde em SP

por ANTONINA LEMOS
AF

Antes de fazer alguma coisa escondido em São Paulo, pense duas vezes. Apesar de a cidade ter 9,92 milhões de habitantes, ser pego no "flagra" não é difícil. Estar traindo a namorada e dar de cara com a melhor amiga dela na rua, por exemplo, parece impossível. Mas acontece.

Segundo o matemático Oswald Souza, uma metrópole como São Paulo é "dividida" em várias cidades. "É como se fossem dez cidades de 900 mil habitantes", diz. Ele explica que a divisão "dessas cidades" é feita não só pelas características geográficas. "As pessoas com os mesmos interesses, por exemplo, acabam freqüentando os mesmos lugares", diz.

SAIA JUSTA - Mas os encontros indesejados podem acontecer em qualquer lugar. Até mesmo na rua. O músico André Cunha, 23 anos, foi "pego" quando atravessava uma rua da Vila Madalena de mão dada com uma menina. Um amigo de sua namorada passou de carro, viu a cena, e ainda parou para conversar com o casal. "Contei para a minha namorada logo depois", diz André.

O publicitário Fábio (nome fictício), 25 anos, já passou por uma situação parecida. "Eu estava passando na rua da Consolação de carro, com uma menina que não era minha namorada. Dei de cara com uma amiga minha com outro cara, que também não era o namorado dela", diz. Os amigos terminaram fazendo um pacto e ninguém foi dedado.

A publicitária Graziela Rodrigues, 21 anos, também escapou por pouco. Ela resolveu matar trabalho e disse para sua chefe que estava doente. Resolveu passear no Shopping Morumbi e acabou dando de cara com a irmã de sua chefe. "Não pensava que ia encontrar alguém no shopping às 15h."

Graziela diz que vez ou outra encontra pessoas "de quem está fugindo" na rua, por acaso. "Terminei com um namorado e não queria encontrá-lo de novo. Mas um dia parei de carro ao lado do carro dele na serra da Cantareira (na zona norte)." Os dois moram no Morumbi (zona sudoeste).

Os encontros, às vezes, revelam surpresas. O músico pernambucano Otto, 30 anos, já se acostumou a encontrar pessoas conhecidas quando anda na rua em São Paulo. Em um desses encontros por acaso, Otto descobriu que um amigo seu era gay. "Eu não sabia, até encontrá-lo beijando outro cara."

Nem todos os encontros indesejados têm um final feliz. O fotógrafo Marcos, de 40 anos, (nome fictício) terminou um romance logo depois de encontrar a moça com quem estava saindo aos beijos com outro homem em um café. "Como não bastasse, ela estava com o marido de uma amiga minha", diz Marcos.

MOTEL - Se os encontros indesejáveis na rua já podem ser constrangedores, a situação piora quando o flagrante acontece em lugares como, por exemplo, os motéis. A bailarina Renata, de 36 anos (nome fictício) já encontrou com os seus pais quando saía de um motel de São Paulo.

"Eu estava saindo com o meu namorado e demos de cara com os meus pais entrando", diz. Os pais acabaram voltando para casa. "Foi um drama, eles conversaram comigo e acabaram entendendo por que eu já namorava havia muito tempo", contou a bailarina.

Para evitar esse tipo de problema, geralmente constrangedor, alguns motéis de São Paulo adotaram o sistema de separar o local de entrada e saída de veículos. Dessa forma, evitam que os carros saiam do local ao mesmo tempo. "Só liberamos um carro por vez para evitar que os clientes se encontrem", diz Gilberto Motta, gerente de Marketing do Motel Studio A.

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Jornal do Commercio
Recife - 24.01.99

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