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LANÇAMENTO Série mostra vida e obra dos gênios por MARCO POLO Os jovens e aqueles que sempre apreciaram os grandes nomes da História da Arte mas temiam enfrentar os grandes compêndios e outros livros críticos mais cifrados, têm agora uma boa ferramenta para começar sua aproximação aos maiores mestres da pintura e da escultura de todos os tempos. A série Grandes Artistas, que Editora Melhoramentos está lançando, se caracteriza por uma abordagem didática e multidisciplinar, não apenas dos artistas e da sua obra, como também da época em que viveram; suas motivações pessoais; sua família, amigos e inimigos; colegas a que influenciou e que os influenciaram; a arte de sua época, a reação dos críticos de seu tempo; seus quadros mais famosos e suas técnicas de trabalho. Além de uma cronologia com os momentos mais marcantes de sua vida, entre o nascimento e a morte. Cada livro vem com 32 páginas, impressão em cores em papel couché, com formato 17 por 24cm, custando R$ 10,00. Os seis primeiros títulos são Michelangelo - A Renascença; Rembrandt - A Vida de um Retratista; Manet - Um Novo Realismo; Monet - Impressionismo; Vicent Van Gogh - Arte & Emoção; e Picasso - Quebrando Regras. Para compreender a arte de Michelangelo di Lodovico di Lionardo di Buonaroto Simoni, começamos por aprender que o mundo em 1500 (o artista nasceu em 6 de março de 1475, em Caprese, Itália) delimita a passagem da Idade Medieval para a Idade Moderna, cujos valores se mantém até hoje. É um momento decisivo, no qual surge a Renascença, caracterizada pelo retorno às idéias clássicas dos antigos gregos e romanos, em contrapartida ao obscurantismo supersticioso dos anos anteriores. MUDANÇAS - É nessa época que Colombo descobre o Novo Mundo, a América; Copérnico prova que a Terra gira em torno do Sol, e não o contrário; o desenvolvimento da imprensa, criada no século anterior por Gutemberg, tornava possível reproduzir rapidamente e de forma barata imagens e textos; Lutero cria seu próprio movimento religioso que ficou conhecido como Igreja Protestante; a ciência progride rapidamente e o poder das monarquias se consolida. É neste ambiente propício às mudanças, que se desenvolve a genialidade de MIchelangelo, até hoje considerado o maior escultor de todos os tempos e um dos maiores pintores da humanidade. Logo na juventude, foi notado por Lorenzo de Medice, de uma família rica e poderosa, que passou a ser seu mecenas. Passa então a desenvolver um trabalho intenso que culminou em obras-primas como a pintura do teto da Capela Sistina, em Roma. São afrescos que cobrem aproximadamente 530 metros quadrados do teto de abóbada, num trabalho praticamente solitário que levou quatro anos (de 1508 a 1512) para ser concluído. Nela estão pintadas diversas cenas bíblicas, desde a criação do mundo até o dilúvio. Só esta obra, por sua monumentalidade e força impactante, já seria suficiente para colocar Michelangelo como um gigante entre os demais artistas. Entre as esculturas destaca-se a estátua de Davi, de cinco metros. Foi talhada pelo mestre sem auxiliares e sem que fosse preciso criar uma maquete inicial. Comentando a vida do escultor, o escritor toscano seu contemporâneo, Giorgio Vasari, afirma que Michelangelo ergueu um abrigo em torno do bloco de mármore, que permanecia já há cem anos em um pátio, abandonado depois de tentativas fracassadas de esculpi-lo, empreendida por uma geração anterior de artistas. Sozinho, Michelangelo atacava o mármore com fúria, trabalhando dias e noites, sem sair do abrigo, dormindo poucas horas ali mesmo, no chão. NOVAS FORMAS - Edouard Manet vive outra época. O pintor que criou as bases para o surgimento do Impressionismo nasceu em Paris, em 1832. Teve um começo meio complicado: o pai queria que estudasse leis, por achar que arte não era um ofício respeitável. Para fugir à pressão, Manet tentou entrar para o colégio naval mas foi reprovado. Então alistou-se na marinha mercante e em 1848 embarcou no navio de treinamento Le Havre et Guadaloupe, com destino ao Brasil. Em carta à sua mãe, do Rio de Janeiro, contou: "A maioria das mulheres brasileiras é muito bonita: elas têm soberbos olhos escuros, combinando com a cor dos cabelos... Nunca saem à rua sozinhas, mas sempre acompanhadas de suas empregadas negras ou de suas crianças. O Carnaval no Rio é algo muito especial... Às três horas, todas as senhoras brasileiras estão na porta da frente de suas casas ou em suas sacadas, bombardeando todos os cavalheiros que passam com bolas de cera multicoloridas cheias de água, chamadas limões-de-cheiro. Meus bolsos estavam cheios de limões-de-cheiro, e fui atacado tanto quanto ataquei, o que parece ser o costume por aqui". Mas não foi a luminosidade tropical brasileira o que mais viria a influenciar a pintura de Manet e sim a pintura espanhola. Ele visitou Madri em 1865 e ficou enfeitiçado pelo trabalho de pintores altamente solares como Velásquez e Goya. Manet desenvolveu sua pintura a partir de esboços de touradas que assistia na Espanha. É com o quadro Almoço Sobre a Relva, exibido em 1863, no Salão dos Recusados - uma mostra alternativa dos artistas não aceitos no Salão oficial de Paris - que Manet provoca um escândalo. O quadro mostra dois homens bem vestidos sentados na grama, ao lado de uma mulher nua que olha tranqüilamente para o espectador. Mas não era só isso. O quadro fazia referência ao trabalho de grandes mestres italianos, como Ticiano, mas com figuras vestidas com trajes modernos. Assim, segundo os críticos da época, ele agredia a respeitabilidade da tradição clássica. Outra obra-prima de Manet, Olimpia - outra mulher nua que encara o espectador sem constrangimento, uma afronta para a época -, foi assim recebida por um crítico: "Não sei se o dicionário da estética francesa contém palavras que possam caracterizá-la... tem uma expressão estúpida no rosto e uma pele cadavérica". Mais adiante referiu-se a Manet como "um bruto, que pinta mulheres esverdeadas com escovão de lavar louça". Outro, acrescenta: "O que é esta odalisca com barriga amarela? Uma modelo escolhida sabe-se lá onde, que representa Olímpia.? Que Olímpia? Uma prostituta, sem dúvida". GÊNIOS - Vários aspectos da vida e obra dos artistas são assim enfocados na série Grandes Mestres. Ficamos sabendo que enquanto Van Gogh foi pastor protestante e comerciante de artes antes de dedicar-se à pintura, com desenhos iniciais nitidamente canhestros, Picasso sempre foi um pintor compulsivo, que criava quadros perfeitos já aos 15 anos. Diz-se até que a primeira palavra que pronunciou foi "lápis". |
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