LG_jc.gif (3670 bytes)

PESQUISA II
Morador indica sujeira como falta mais grave

A opinião sobre a incivilidade dos recifenses é praticamente a mesma registrada no ano de 1995, quando o Ipespe e o Movimento Cidade Cidadão promoveram uma pesquisa semelhante. Naquela época, 72% afirmaram que o povo do Recife é pouco civilizado. Na última, resposta igual foi dada por 73%. O que mudou foi o principal alvo das críticas. O descumprimento das leis do trânsito que em 95 ocupava o primeiro lugar nas faltas graves, caiu para o sexto. Os entrevistados demonstraram mais preocupação com a sujeira das ruas, monumentos, desrespeito ao próximo e com a violência.

"Observamos que a população está mais atenta à qualidade de vida", explica Carlos Augusto Costa, coordenador do Cidade Cidadão, um movimento que visa criar a consciência e educar as pessoas para o exercício da cidadania. Ele também considera que o aumento dos índices de violência contribuiu para as respostas. As queixas em relação aos motoristas teriam caído em função do Código de Trânsito.

Os entrevistados têm razão. A Empresa Municipal de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) aplica por mês uma média de 1.600 advertências contra quem suja as ruas (50% delas se transformam em multas), gasta R$ 50 mil a cada 30 dias para repor lâmpadas e outras peças de iluminação, quebradas ou roubadas. Na conta ainda entram R$ 70 mil com manutenção de praças e R$ 140 mil com vigilância de espaços públicos.

"O vandalismo é generalizado", diz Eduardo Sivini, presidente da Emlurb. Segundo ele, as depredações são comuns ao subúrbio, centro e área nobre da cidade. "No túnel Augusto Lucena, em Boa Viagem, atiram contra a iluminação. Na periferia, as lâmpadas são destruídas a pau e pedra para facilitar os assaltos". E, muitas vezes, o vandalismo repete-se antes mesmo de a prefeitura concluir a restauração do que foi danificado.

A Praça Sérgio Loreto é um exemplo disso. Foi alvo de pichação quando a reforma estava sendo concluída. Sivini lembra que é muito difícil evitar a depredação das áreas públicas. "Não podemos ter um vigilante para cada cidadão". O ideal, completa, seria a consciência de cada pessoa.

A violência, terceira falta grave apontada pelos entrevistados, também não se pode negar. Dados do Serviço de Inteligência da Polícia Civil mostram que no ano passado 3.079 pessoas foram assassinadas no Grande Recife. No mesmo período 5.091 veículos foram furtados ou roubados e aconteceram 109 assaltos a banco.

"Não há dúvidas de que a população vive uma sensação de insegurança", diz Manoel Carneiro, diretor de Polícia Civil do Estado. Ele acredita que a mudança de comportamento só vai ocorrer com mais educação e emprego. "Tratamos o resultado de causas que fogem ao controle da polícia. São vários os fatores que favorecem a violência, desde a falta de educação, precariedade social, até a falta de limites de famílias privilegiadas.

O mais incrível é que o cidadão ainda não se deu conta de que ele é o principal prejudicado com a incivilidade. Oswaldo Farias, gerente da Borborema, empresa de ônibus que tem a maior frota em circulação no Grande Recife, calcula que daria para comprar um ônibus novo a cada ano com o dinheiro aplicado na reposição de vidraças e conserto de bancos danificados. Os prejuízos são maiores na degradação da natureza e quando os ataques são contra a dignidade do outro. Na pesquisa do Ipespe, os entrevistados se queixam do mau atendimento nas repartições públicas, desrespeito a idosos e deficientes físicos, preconceito racial e sexual, fumo em coletivos e desonestidade.

________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 24.01.99