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UNIVERSIDADE Fera enfrenta via-crúcis para encontrar moradia De várias cidades pernambucanas, e até de estados vizinhos, chegam ao Recife jovens para tentar fazer um curso universitário. Vencida a primeira etapa, a aprovação no vestibular, o passo seguinte é talvez o mais difícil: conseguir um lugar para morar durante os anos de faculdade. Quando não há nenhum parente ou amigo disposto a oferecer abrigo, a solução é partir para a disputa: tentar vaga nas já lotadas Casas do Estudante Universitário ou nas pensões, e dividir apartamento com os amigos. Alguns passam o tempo todo mudando de lugar. Além de conter a vida nômade, os estudantes são obrigados a criar regras de convivência e enfrentar desafios longe da proteção da família. Há nove anos morando no Recife, o estudante de medicina Adauto Rodrigues, 27 anos, está no seu décimo endereço. Desde que chegou da cidade de Francisco Santos, sertão do Piauí, Adauto deixou de ter residência fixa. Primeiro morou em pensão, depois dividiu apartamento com os amigos. Finalmente está morando só com a irmã mais nova, que veio para o Recife cursar psicologia. Celsa Maria Lima, 26 anos, veio de Morada Nova, interior do Ceará. Primeiro, morou com uma tia. Depois que passou no vestibular, mudou-se para a Casa da Estudante Universitária. "As pessoas tinham preconceito quando eu dizia que morava aqui", lembra. Celsa depende totalmente do dinheiro que recebe da bolsa de apoio acadêmico. Por falta de condições, ela não viajou para passar Natal e Ano Novo em casa, pois para ir até a sua cidade gasta pelo menos R$ 100,00 com as passagens. RESIDÊNCIA COLETIVA - Nas casas de estudantes universitários é praticamente impossível se sentir sozinho. Além dos quartos, eles dividem sala de televisão, sala de estudos, laboratório de informática, cozinha e banheiros. Existem regras definidas pela direção das casas, mas em algumas delas os próprios moradores criam "leis" que têm que ser seguidas por todos. A presença de namorados, por exemplo, depende de cada uma das casas. Nas residências femininas, tanto da UFPE quanto da UFRPE, os namorados só podem permanecer no local até aproximadamente às 22h. Já nas masculinas a situação é diferente. Na UFPE, segundo um dos moradores, é permitido que as "amadas" durmam nos quartos durante, no máximo, três dias. "Mas vai depender dos companheiros de quarto", explica um residente. Na UFRPE é parecido. Como os quartos são menores, é mais fácil combinar com os outros moradores. "No meu quarto sou eu e outro colega. Quando quero que minha namorada venha para cá peço para ele demorar um pouco mais na rua", conta o estudante. A direção das casas, no entanto, ressalta que este comportamento não é permitido. "Mas fica difícil vigiá-los", justifica o diretor da Divisão de Atividades Sócio-econômicas da UFRPE, Ricardo Rego. A alimentação é outro item diferente em cada casa. Na UFRPE os estudantes dispõem do Restaurante Universitário, reinaugurado em outubro do ano passado. Todos os 134 residentes fazem as três refeições no local. Na UFPE cada um se vira como pode. A maioria das mulheres faz sua própria comida. Já nas residências masculinas os rapazes encontraram uma maneira de comer gastando pouco: criaram as cooperativas de alimentação. Cerca de 25 estudantes participam de cada uma delas. A taxa é de R$ 80,00 por mês. O grupo é dividido em cinco subgrupos de cinco pessoas, que fica responsável pelas refeições no período de uma semana, desde a escolha do cardápio até a compra dos ingredientes e supervisão da cozinheira. |
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