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NOVAS BASES
Crise exige coalizão e rumos comuns

O projeto reformista de forte cunho popular idealizado no início da década de 60 foi bloqueado e derrotado pela coalizão de poder conservadora que sustentou o golpe de 64 e todo o período do regime militar. Foi essa nova coalizão de poder que deu a marca autoritária e anti-social do desenvolvimentismo dos anos 60/80. Foi ela que promoveu uma gigantesca concentração e polarização da renda, e foi uma resultante dessa coalizão a forma selvagem como o capitalismo brasileiro viveu o seu milagre econômico.

Desde a segunda metade da década de 70, pelo menos, que a oposição ao regime militar, ao lado de sua crítica do autoritarismo, veio denunciando as fragilidades, contradições e limites deste desenvolvimentismo conservador: seu padrão de financiamento externalizado; seu protecionismo muitas vezes sem critérios estratégicos de escolha de grupos econômicos e setores produtivos; sua incapacidade ou impotência para conglomerar e articular estrategicamente o setor produtivo e financeiro estatal; sua distribuição regressiva da renda; sua defesa intransigente do monopólio da terra e dos espaços urbanos; seus sistemas mal financiados de proteção da força de trabalho e da população marginal; sua complacência diante do processo de privatização do Estado autoritário e de seus processos decisórios; sua fragilidade diante dos interesses privados internacionalizados etc.

"Uma crítica veemente do autoritarismo, mas que soube identificar nas taras do seu desenvolvimentismo o poder, a vontade e as decisões conservadoras e muitas vezes reacionárias da coalizão de interesses privados nacionais e internacionais que sustentaram o regime político, mas também a estratégia de fuga para frente na condução do processo do desenvolvimento. Fuga sempre pelos caminhos de menor resistência, abertos pela conjuntura econômica internacional e capazes de compatibilizar - ainda que transitoriamente - os interesses heterogêneos e antipopulares de nossas elites políticas.

Em grande medida, foi esse pensamento crítico que orientou o novo programa de reformas esboçado na primeira metade dos anos 80. E foi com base nele que as forças progressistas tentaram revolucionar o desenvolvimentismo conservador, na primeira hora da transição democrática, entre 1985 e 1988. Mas a experiência dos anos 60 já havia ensinado e, por isso, nesta segunda oportunidade, a convicção comum era de que as reformas e o enfrentamento conjunto da crise da dívida externa e do novo contexto econômico internacional requeriam uma mudança radical das bases do poder e a construção de uma nova coalizão capaz de redesenhar o desenvolvimento nacional com base noutro conjunto de valores hierarquizados, a partir de um objetivo central: o bem-estar econômico e social da população brasileira. O mesmo objetivo que foi consagrado e detalhado pela Constituição de 1988.

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Jornal do Commercio
Recife - 24.01. 99