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POLÍTICA CAMBIAL III
Elites travam o desenvolvimento do Brasil

por CONTARDO CALLIGARIS

Chegar ao Primeiro Mundo está no futuro do Brasil há tempos. Nos anos 60 e 70 só parecia faltar, para isso, que o Brasil se tornasse uma superpotência. Era, aliás, o que o então presidente norte-americano Richard Nixon prometia à ditadura brasileira. E ainda há quem espere que uma bomba atômica nacional faça o milagre acontecer.

Mais tarde a democracia poderia ser nosso tíquete. Mas houve a tragicomédia de Tancredo Neves, o estilo tupiniquim do paletó de José Sarney e - golpe letal - uma inflação que rivalizava em maluqueira com os remédios inventados para combatê-la. O país talvez fosse democrático, mas não era sério o suficiente para integrar o Primeiro Mundo.

Fernando Collor de Mello foi eleito porque se parecia com o Primeiro Mundo. Infelizmente, a verdade estava com as gravatas dele e de seus amigos colloridos: eram de marca Hermès - gravatas de luxo comercializadas nos aeroportos e nos aviões. A nova classe dirigente, como prova de seu acesso ao Primeiro Mundo, exibia de fato gostos de "free shop". Nestes últimos anos, enfim, houve o sonho de uma moeda verdadeira, que desse para trocar em qualquer banco do mundo. O real seria o passaporte da seriedade enfim conquistada. Agora, parece que, com a desvalorização da moeda brasileira, de novo o Primeiro Mundo escapa de nossas mãos. Mas por quê?

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Jornal do Commercio
Recife - 24.01. 99