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REFORMA DO ESTADO Corporativismo frusta reforma a curto prazo Como pano de fundo das contendas miúdas pró ou contra os projetos reformistas, entendo que um combate mais fundamental e decisivo se trava hoje no seio da sociedade brasileira. O debate que se desenrola separa, de um lado, o bloco das forças ligadas à sociedade burocrática, agrupando uma gama heterogênea de segmentos sociais voltados, por interesse e/ou mesmo apenas por pura ideologia, para a conservação e, de outro lado, o bloco das forças que, pelos mesmos motivos, estão de verdade interessadas na mudança da situação do País. Seria equivocado realizar um corte simples, horizontal ou vertical, para separar os dois grandes blocos que se apresentam hoje porque, no interior de cada um destes grupos, estão facções dos mesmos segmentos sociais, ainda que distribuídos desigualmente. Mas, pelo menos à guisa de hipótese, parece bem claro que o critério principal de alinhamento político dos vários grupos de interesse deriva das vinculações diferenciadas ao Estado ou ao próprio mercado e também das próprias vantagens que auferem dessas vinculações, isto é, de contextos protegidos ou competitivos com os quais se deparam na sociedade. O desfecho do combate entre estes dois grandes blocos de interesses não está decidido, pelo menos por enquanto. Os interesses burocráticos e corporativos criados pelo modelo getulista, se não têm o futuro à sua frente, têm variegada capacidade de resistência setorial, capaz de frustrar tentativas reformistas e levar a situações de impasse. Nesse caso, admitindo tais hipóteses, a sociedade brasileira, no momento atual, não voltaria para o passado, mas também não seria capaz de romper definitivamente com as amarras do subdesenvolvimento. Leôncio Martins Rodrigues é professor do departamento de ciência política da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas, em São Paulo) e autor do livro "Partidos e Sindicatos" (ótica), entre outros. |
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