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HISTÓRIA Na Grécia Antiga, falo influenciava a política São várias as religiões que utilizaram ou utilizam a forma fálica para dar forma aos seus objetos de adoração. Na antiga Grécia, Príapo, o Deus da Fertilidade, era representado por um homem com um enorme pênis, que por maldição de Hera, vivia sempre ereto. Uma das hipóteses sobre a sua concepção é que ele seria filho de Zeus e Afrodite. Hera, por vingança, machucou o ventre da deusa do Amor, deformando o feto. No Candomblé, o Imole Exu, responsável pela procriação na terra, é mostrado muitas vezes apenas como um grande pênis. Nos dois casos, a lógica é a mesma: é o falo o grande semeador do mundo, aquele que pode fertilizar campos e manter a continuidade da humanidade. "O início do culto ao pênis tem origem na Grécia, onde a adoração pelo corpo masculino era extrema. A expressão falocracismo vem justamente dessa época, quando os gregos nobres se reuniam na Ágora para decidir a política da cidade. Em caso de empate, o candidato que tivesse um pênis maior era o escolhido", explica o professor de História, Alexandre Costa. Ele destaca que a comunidade grega era essencialmente machista e pederasta - na maioria das vezes, os mestres e súditos possuíam mais do que uma simples ligação professor e aluno. A influência fálica na sociedade é tão antiga que até mesmo as leis que unificaram a Babilônia, o famoso Código de Hammurabi (1750 a.C), foram cravadas numa enorme pedra negra em forma de um falo (o monumento encontra-se no Museu do Louvre, em Paris). Ainda na Grécia, uma das lendas mais antigas diz que a deusa Afrodite teria nascido do membro de Urano e depois sido jogada no mar. Para os gnósticos, a lenda revela um amor verdadeiro, já que Afrodite representa o amor puro, e não a promiscuidade ou mesmo o erotismo. Na Capadócia, as sacerdotisas celebravam procissões portando um grande falo, que era venerado e exaltado como o corpo gerador da vida. "Outra prática fálica comum na Grécia podia ser notada no cumprimento entre mestre e discípulo. Quando se encontravam, costumavam tocar os testículos um do outro como prova de amor e até respeito", conta Alexandre Costa, citando um poema de Aristófanes, dramaturgo satírico da época, onde ele ironiza a prática como um sinal da homossexualidade vigente. "Ainda hoje, o homem continua sendo muito voltado para o pênis. Nos banheiros masculinos, a figura mais desenhada nas portas é o órgão sexual, quase sempre mostrado de forma exagerada". MENSTRUAÇÃO - É interessante observar que, antes de adotar o perfil fálico, o homem era essencialmente "matriarcal", cultuando o ventre e seu poder reprodutor. A própria Vênus de Willendorf, da Era Paleolítica (25 mil a 10 mil a.C), é uma prova da valorização do corpo feminino. O ventre cheio, os seios fartos e a menstruação eram verdadeiros simbolismos: a mulher é quem semeava os campos, ou seja, era ela a responsável pela colheita do alimento e sobrevivência da tribo. "Ainda hoje, em alguns locais do Sertão, a menina que estiver menstruada é impedida de semear o campo, pois é considerada infértil", conta Alexandre Costa. Nos cultos celtas, praticados principalmente ao norte da Inglaterra um pouco antes da Idade Média, a grande adorada era a Grande Mãe, ou a deusa, que utilizava o homem (chamado de Galhudo) apenas para fecundar. Com a chegada do Cristianismo, as adoradoras da deusa foram tachadas de bruxas, e seus cultos logo foram extintos ou absorvidos com nova roupagem pela religião. (F.M.) |
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