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HISTÓRIA II Circuncisão simboliza pacto de vida entre Deus e Abraão Vista como uma prática ligada apenas à cultura judaica, a circuncisão, que consiste na retirada de parte do prepúcio, é realizada por tribos orientais há cerca de 6 mil anos (enquanto o povo judeu tem 4 mil anos). O ato, entre os judeus, possui um teor profundamente religioso: ela representa o pacto firmado entre Deus e Abraão, no momento em que o Senhor prometeu abençoar a todos os judeus. "Sem a circuncisão, um menino nascido de pai e mãe judaicos não é considerado judeu", explica o membro do Diálogo Católico-Judaico, Isaac Schachnik. Segundo ele, a escolha do pênis como local do "selo" do pacto representa a importância do órgão na religião. "O pênis é a fonte da vida", diz Schachnik, lembrando que o valor da mulher, na época, era ínfimo ou mesmo inexistente. O dia da circuncisão é cercado por várias simbologias e ritos. Ela deve ser feita, segundo os mandamentos de Deus, no oitavo dia de vida do récem-nascido (mas, caso o bebê apresente algum problema, poderá ser feita posteriormente. Abraão, vale lembrar, fez sua circuncisão aos 99 anos). "Li um artigo médico que defendia a circuncisão realizada no oitavo dia por causar menos desconforto ao bebê. No final, a bíblia fundamentou muitas das teorias médicas atuais", crê Schachnik. No brith-milá (pacto da circuncisão, em hebraico), o bebê é levado pelo padrinho até o colo do pai, que coloca uma almofada sobre as pernas para acomodar o filho. O Mohel, especialista que realiza o corte, retira rapidamente parte do prepúcio, oferecendo logo após o corte gotas de vinho ao bebê. Entre os ortodoxos e místicos, é comum a revelação do nome da criança apenas durante o ato, para garantir sorte. Todos os presentes, então, entoam uma benção desejando que o bebê seja feliz até os 13 anos, data em que é considerado religiosamente adulto, e até o dia do seu casamento religioso.. A família geralmente oferece uma pequena recepção após a "cirurgia". "Vejo a circuncisão não só como um mandamento divino, mas também como uma prática higiênica, um princípio de profilaxia", declara Schachnick, que define-se como um religioso liberal. Já os ortodoxos crêem que o ritual é um desígnio do senhor, não cabendo maiores explicações sobre o ato. O judeu Sigmund Freud tem uma teoria que difere bastante das duas vertentes: para ele, o pais das tribos mais remotas castravam seus filhos para garantir sua exclusividade fertilizadora. Com o avanço do tempo, a castração passou a ser simbólica, tomando a forma da circuncisão. MAIS PRAZER - Vários estudos já revelaram que o homem circuncidado tem maior satisfação sexual do que aqueles que não se submeteram à retirada de parte do prepúcio. A vida sexual destes homens também tende a ser mais longa, talvez por conta desse maior grau de prazer. Já as mulheres que possuem maridos circuncidados têm 64% menos chance de ter câncer no colo do útero do que aquelas que não têm maridos judeus. Outro dado curioso é que os homens circunsidados têm três vezes menos chance de ter câncer no pênis. (F.M.) |
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