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GAMES
Emulador dá vida aos antigos videogames

por FABÍOLA BLAH
blah@jc.com.br

A paixão por videogame nascida nos tempos de criança que se prolonga até a idade adulta. É mais ou menos essa a explicação dada pela maioria dos usuários de emuladores, programas que executam num computador jogos que rodavam em videogames antigos, como Atari, MSX e Colecovision, conservando a aparência gráfica e recursos sonoros originais.

"Desde pequena gostei de jogos eletrônicos e com 12 ou 13 anos era vidrada em MegaDrive e MasterSystem. Quando descobri que podia reproduzi-los no computador, adorei a idéia", explica a universitária Marília Veras. Desde 1997 ela utiliza os softwares Genecyst e SNES 9X, para simular games do MegaDrive e SuperNintendo, respectivamente.

"Um emulador simula o funcionamento de um hardware, de modo que o usuário possa pegar os jogos que executava no videogame original e executá-los nessa máquina virtual, cujos componentes ao invés de serem dispositivos físicos são simulações desses feitas em software", explica Ulisses Montenegro, usuário de emuladores há três anos. Forjando via software o hardware de outra máquina, esses programas tornam o visual e o som cada vez mais próximo dos jogos originais.

Os emuladores podem ser baixados de graça na Internet e não ocupam muito espaço dentro de um disco rígido, variando entre 400 e 500 KB, em sua maioria. Os jogos em si, mais conhecidos como roms, é que podem consumir mais alguns bytes, chegando a medir, em casos extremos, mais de 30 MB. Dependendo do sistema que o usuário quer emular, vai precisar (ou não) de uma máquina mais potente - um PlayStation, por exemplo, pode requisitar um micro com chip Pentium II 300 e placa de vídeo 3D aceleradora.

"Sempre se pode fazer um sacrifício, como desabilitar o som ou diminuir a frequência de reprodução das imagens, mas para rodar na velocidade e com as mesmas características do computador original, para sistemas mais recentes é preciso de um equipamento relativamente poderoso", assegura Ulisses Montenegro.

Existem emuladores para todos os tipos de videogame. Quem sente saudade do Telejogo, game lançado pela Philco em 1977, pode utilizar o emulador VCHIP8 - é um meio de relembrar as partidas de futebol, tênis e paredão que eram jogadas no próprio televisor. Os fãs de Atari podem se divertir com o Z26 Emulator ou com o Stella e recordar as tardes inteiras passadas jogando River Raid, por exemplo. Lançado no Brasil em 1981, o Atari foi um dos videogames que fez mais sucesso em território nacional, chegando a formar clubes que alugavam e vendiam cartuchos para a máquina. Os roms são encontrados em pacotes de 4 a 16 KB, sendo os primeiros os mais comuns.

Juliana Emerenciano, aluna de Letras da UFPE, é outra que adora os emuladores. "Conheci através de amigos e como sempre gostei de jogos eletrônicos, não hesitei em colocar no meu computador", afirma. Há um ano ela tem instalado em seu micro - um Pentium 166 - vários emuladores, entre os quais o Nesticle, para Nintendo, e o Kgen, para MegaDrive. "O meu favorito, entre todos os games que tenho, é o Mario Bros", diz a universitária.

Em 1985, chegou ao país o Nintendo, videogame que tinha 256 X 240 pixels de resolução gráfica e utilizava processador Motorola de 8 bits, o mesmo existente nos computadores Apple da época. Quem tem PC e quer reviver as aventuras dos Mario Bros, pode baixar o emulador Nesticle, que reproduz com perfeição o som e as imagens dos irmãos italianos. Estão sendo desenvolvidas versões do software para as plataformas Amiga e Macintosh.

O primeiro console de 16 bits a chegar no mercado foi o Megadrive, fabricado pela Sega, que oferecia alta qualidade de imagens, movimentos e efeitos sonoros. Para simular no computador os jogos do Mega, várias opções encontram-se disponíveis na Internet: Genecyst, KGen, GenEm e MegaDrive DOS. Os dois primeiros são os mais completos, já que o GenEm não reproduz o som com fidelidade e o MegaDrive DOS não dispõe de nenhum recurso sonoro, além de suportar poucos jogos.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.01.99