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CRISE
Flórida sente a crise brasileira

por BRAD LISTON
Agência Reuters

ORLANDO - Não é provável que a "onda do samba" que atrai milhares de brasileiros aos centros comerciais e parques de diversões da Flórida acabe totalmente devido aos problemas econômicos do Brasil, opinaram fontes comerciais.

Apesar disso, a quantidade de turistas do país já diminuiu e seus extensos gastos de anos anteriores minguaram, dizem. "Quando o Brasil tem problemas, a Flórida esfria", comentou Jerry Haar, diretor do programa de Trabalho e Comércio Internacional do Centro Norte-Sul da Universidade de Miami. "O impacto na Flórida será notado na diminuição do turismo, venda de condomínios e exportações", adicionou.

Nos últimos anos, os brasileiros deram um toque distinto à diversidade da Flórida. Dezenas de milhares de brasileiros vivem na área de Miami, entre eles o ex-presidente Fernando Collor. Nos meses de inverno e verão, hordas de turistas brasileiros, entre eles grupos de estudantes vestindo camisetas iguais, caminham pelas ruas do centro de Miami e pelos parques de atrações do centro da Flórida.

SEM CLIENTES - A desvalorização do real coroou vários meses de devaneios econômicos no Brasil, que se fizeram sentir em alguns negócios relacionados com o turismo na Flórida. Na semana passada, Harry Zamora, administrador da loja de artigos eletrônicos Hello Brasil, em Miami, olhava com tristeza para o estabelecimento carente de clientes. "Devíamos ter um monte de gente agora mesmo, mas como pode-se ver, o movimento está lento. Nesta época no ano passado, eu estava muito atarefado. Estou um pouco assustado", disse. "Já tive que despedir um dos funcionários. Se isto continuar, poderá haver mais demissões", lamentou Zamora.

Os turistas brasileiros gastam tipicamente entre US$ 3 mil e US$ 5 mil quando estão de férias. "Será realmente em julho ou agosto que o impacto de tudo isso será sentido", opinou Scott Schuler, administrador do centro comercial The Florida Mall, em Orlando.

O turismo representa 60% dos negócios para o centro comercial The Florida Mall e espera-se que em julho tenha início a primeira fase de uma expansão e renovação, justo a tempo para a alta temporada. Anísio Depaiva, administrador da BACC Travel em Miami, disse que a desvalorização do real afetará definitivamente o mercado. Os agentes de viagem no Brasil sentirão a ressaca, apesar de não anteciparem um colapso, pois "os brasileiros adoram viajar". No entanto, deverão gastar menos.

CARTÃO VISA - "Em 1990, os estudantes vinham com US$ 4 mil em seus bolsinhos para gastar. Agora têm apenas uns US$ 1 mil, e depois disso poderão ter ainda menos", afirmou Depaiva. Apesar disso, os hábitos dilapidadores dos brasileiros deixam alguma esperança aos comerciantes, indicou Haar. "Esta é uma nação que paga a conta do MasterCard com seu cartão Visa", disse.

Por seu lado, a Walt Disney World, atração mais popular entre os brasileiros de férias nos Estados Unidos, adotou a atitude de 'esperar para ver'. "Os turistas brasileiros, mais do que os outros, tendem a separar e pagar com muita antecedência suas férias. Já compraram suas férias com menos dinheiro", comentou o porta-voz da Disney, Bill Warren.

William Peeper, presidente do Escritório de Convenções e Visitantes do condado de Orange/Orlando, disse esperar diminuição nas viagens internacionais devido à queda monetária do Brasil. "É difícil imaginar que isso não acontecerá. Em que medida? Ninguém sabe. É um pouco cedo para dizer", afirmou.

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Jornal do Commercio
Recife - 24.01.99