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DEMOCRACIA
Briga pelo poder dividiu a política no Nepal

por GOPAL SHARMA
Agência Reuters

KATMANDU - Oito anos depois de irem às ruas pedir pela democracia, muitos nepaleses agora imaginam se os campeões de sua liberdade política alguma vez cumprirão as promessas de acabar com a pobreza do país.

Desde que as sangrentas manifestações de rua em 1990 restauraram a democracia multi-partidária no reino hindu, os políticos que lutaram lado a lado por décadas começaram a brigar pelo poder. "Os líderes estão ocupados lutando entre si. Como eles podem encontrar tempo para cuidar de nossos problemas?", perguntou Sher Bahadur Sunuwar, um trabalhador que ganha 90 rupias (US$ 1,35) por dia.

Geralmente vindos de famílias ricas e vivendo em mansões luxuosas, os líderes do Nepal são regularmente acusados de ignorar as necessidades de seus 22 milhões de cidadãos. A renda per capta anual do Nepal mal chega a US$ 200 por ano. Cerca de 42% dos nepaleses vivem em pobreza absoluta com comida, abrigo, sistema básico de saúde e educação inadequados. O crescimento econômico em 1997/98 (de julho a julho) foi de 1,9%, muito abaixo da taxa de crescimento da população, que foi de 2,4%. A frustração popular com as falhas administrativas dos políticos cresceu junto com as brigas entre partidos.

"É tempo deles mostrarem alguma visão para a melhoria da vida das pessoas, que está ficando pior", disse Panna Kaji Amatya, um professor de ciência política da Universidade Tribhuvan. Uma luta pelo poder no centrista Partido do Congresso Nepalês em 1994 deixou amargura entre o atual primeiro-ministro, Girija Prasad Koirala, e o ex-líder do partido, Krishna Prasad Bhattarai. Koirala foi acusado de sabotagem em uma eleição na qual concorria Bhattarai para evitar ser substituído como premiê. Bhattarai perdeu a eleição, e alguns de seus partidários abstiveram-se em uma votação parlamentar crucial, indo contra Koirala. O primeiro-ministro então dissolveu o parlamento, no qual seu partido tinha uma maioria absoluta, e ordenou uma nova votação, mas acabou sendo vencido nas eleições gerais de 1994.

O partido Marxista-Leninista Unido (UML), que juntou uma minoria do governo depois que as eleições trouxeram um parlamento fragmentado, dissolveu a câmara baixa seis meses depois para acabar com um movimento de oposição e assumir a maioria da casa. Uma ordem da Corte Suprema, em uma petição promovida pelos partidos de oposição, invalidou o movimento do UML e os comunistas foram substituídos por uma fraca aliança entre o Partido do Congresso Nepalês e seu antigo oponente, o Partido Rastriya Prajatantra (RPP).

Duas tentativas de primeiros-ministros de dissolver o parlamento desde então falharam. Especialistas na constituição culpam os partidos por procurar "soluções judiciais" para problemas políticos.

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Jornal do Commercio
Recife - 24.01.99