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Expulsão ou multa? Está dando encrenca a história de multar em vez de suspender jogador que cometa indisciplina no Campeonato Paulista de 99. A decisão da FPF já gerou até discussão jurídica. Será que a pena chamada pecuniária seria mais exemplar do que a suspensão do infrator? A inovação não atropelaria o código disciplinar da CBF? Confesso que, no primeiro momento, chegou a me assustar a idéia de multar em vez de pendurar o profissional infrator por um ou mais jogos. Por outro lado, não seria a suspensão um castigo de duvidosa inspiração amadorística? Talvez, tenha chegado a hora de mexer no código disciplinar pra ajustá-lo aos novos tempos do esporte-negócio. A suspensão de um jogador, às vezes, até injusta, implica prejuízo tanto pro clube quanto pro espetáculo. Perdem todos: o futebol, a equipe e o público. É certo que a ética do esporte não tem preço. Se o atleta agride regras morais, deve ser severamente punido e não há de ser enquadrando-o numa tabela de multas. Nos casos mais graves, talvez fosse aconselhável uma pena que doesse, ao mesmo tempo, no bolso e no amor-próprio. Estamos falando, no momento, de suspensão automática pro jogador expulso de campo ou por uma jogada violenta ou por uma reclamação acintosa contra a arbitragem. Quase sempre, o que ocorre é que o indisciplinado expulso vai embora pra casa mais cedo, feliz da vida por ter ganho uma boa folga no jogo seguinte. Saturado de bola, o jogador sonha com um refresco... Há pouco tempo, conversei com alguns treinadores e deles ouvi que existe uma raça de jogador que provoca friamente o terceiro cartão amarelo ou, mesmo, o vermelho, pensando em um domingo livre, no parque, com a mulher e os filhos. Talvez fosse o caso de converter em multa - mas multa pesada - atos de indisciplina, desses que a gente vê, a três por dois, muito mais recheados de malícia que de dolo. Conto uma história dos primórdios do profissionalismo. Nos anos 50, havia, no Rio, um árbitro chamado Juca da Praia. Ele apitava no Campeonato Carioca. Era bom de bico. Duro na queda, porém, malandríssimo. Conheci-o de apitos e de fama. Naquele tempo, o jogo principal começava às três horas da tarde. Um sol de rachar no Maracanã. Quarenta graus! Comecinho do segundo tempo, um jogador, quase sempre craque, ia pra cima dele, Juca, dedo em riste, protestando contra uma falta mal apitada. Cena (premeditada) de desrespeito. Juca não esquentava. Chegava perto do malandro: - Olha aqui, "seu" pilantra, você está arranjando um jeito de ser expulso. Espertinho, quer ir pegar um bom chuveiro! Tá fazendo um calor dos diabos aqui. Eu também daria tudo por um bom banho, agora. Mas, você vai ter que ficar aqui bonitinho, até o fim, me ajudando a esfriar o sol... Está certo, de lá pra cá, o futebol mudou muito, mas a alma humana, nem tanto... ROMÁRIO, FOGO-FÁTUO - Romário deu as cartas no Fla-Flu da ressurreição. Gol é com ele. Não vinha treinando direito. Aliás, não é de hoje que Romário manera. Tem horror a ginástica. Diz que isso é coisa de atleta. Ele é artista. Quando muito, bate uma bolinha, um futevôlei, mais pelo prazer de brincar que de suar. É, sem dúvida, o derradeiro romântico do futebol. Entra na grande área mansamente, sempre. Ali, sente-se em sua própria casa. Ali, exerce sua face intangível, fogo-fátuo. Nada o contém. Ali, vive de iluminações. Ali, faz gol por decreto divino. RÁPIDAS E RASTEIRAS - Recebi o seguinte e-mail do casal leitor Waldívia-Wladimir: "Só para mostrar que a família Marchiori/Portinho não deixa de ler tudo o que você escreve. Aqui vai mais um lembrete a respeito de um pequeno vacilo seu: em sua nota "A Última Cesta", você se refere a um dos livros que está pronto sobre Michael Jordan como sendo "bem popular, na linha `coffee table book', pra se ler em mesa de bar"... Como tradutora há larguíssimos anos e boa conhecedora da cultura anglo-americana - mais ou menos como você o é da francesa - eu não podia deixar de saber o seguinte: "coffee table book" é exatamente um livro de luxo, diríamos, um livro de arte, cheio de fotografias vistosas, um objeto de beleza, caro e grande, para ser olhado mais do que lido. É assim chamado porque em geral enfeita uma `coffee table', ou seja, a mesinha de centro onde se serve café, etc., para as visitas na sala ou na biblioteca. Como vemos, também no caso de Michael Jordan "A thing of beauty is a joy forever". Assinado: Waldívia & Wladimir." ***** Bebeto ganha a parada: o banco espanhol autoriza-o a continuar no Botafogo. Antes que a torcida alvinegra delire com a prova de amor do craque, fique bem claro que Bebeto e a mulher, Denise, gostam mesmo é de morar no Rio. ***** Roberto Duailibi, o D, da DPZ, onde chega e tem que se apresentar, é logo efusivamente cumprimentado pelo título de campeão brasileiro. Confundem o nome dele com o do presidente Alberto Dualibi, presidente do Corinthians. ***** A despedida de Michael Jordan abre as portas do Chicago a uma grande debandada. Quem é bom, mesmo, está indo embora. O Pippen, que é um excepcional jogador, deve estar se sentindo órfão. Ele jogava o tempo todo de olho no Jordan. O Rodman, que é completamente tantã, só não aprontava mais na quadra por respeito a Jordan. ***** Minha estante está enriquecida com três figuras notáveis: Mário de Andrade, Manuel Bandeira e Carlos Drummond, reunidos na coleção Arte & Literatura, da Livroarte Editora Ltda. É um presente da Bradesco Seguros. Coisa fina. Correspondências para "Na Grande Área": Cx.Postal: 34062 - CEP: 22.462-970 - Rio de Janeiro - RJ. http://www.armandonogueira.com.br |
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